Sobre o capitalismo…

O capitalismo sedimentou o princípio de que é possível enriquecer pelo FAZER. Fazer, quer dizer: lucro. O capitalismo é um sistema do fazer e não do SABER.

Saber – só se for para fazer.

Uma pessoa com doutorado em filosofia  pode receber muito menos que outra – semi-alfabetizada – dona de uma empresa de adubo de minhocas.

Neste sistema, ganha-se fazendo. Para isto, é preciso criar algo útil e vendável. Um curso superior só tem valor se fornecer uma formação técnica e altamente lucrativa.

Filosofia é inútil. Literatura e arte também. E a Ética?  Qual o sentido filosófico da ética? A ética trata dos meios e dos fins. A ética prevê os riscos.

O capitalismo não tem ética. Ele lida com meios e fins no terreno do fazer. Para ele, em tudo há algum risco. É necessário fazer para saber. Em caso de danos, o próprio sistema se encarregará de encontrar a solução. As mortes são efeito colateral das benesses da tecnologia.

A natureza é um meio. O homem também. O lucro é o fim. Quanta tecnologia não foi produzida do minério extraído da lama de Mariana?

O sistema entende que os benefícios justificam as tragédias: a cartada valeria o jogo. Quantas vidas ainda não serão perdidas em nome do lucro?

O problema é que nem mesmo os capitalistas estão isentos de terminarem como um efeito colateral do sistema!

Evaristo Magalhães – Filósofo e Psicanalista

Minha opinião sobre O AMOR POSSESSIVO…

Quando o bebê tem fome a mãe serve o peito. Quando o bebê tem carência afetiva ele simula que tem fome para ter o amor da mãe. A função da mãe é suprir a fome física. A fome de amor ninguém pode suprir. É a experiência da falta de amor que desenvolve o EU. O EU é a instância psicológica que nos situa na realidade. O EU reflete e pondera. O EU sabe lidar com o amor frustrado. O EU evita o rancor, a vingança e a morte. A mãe possessiva confundiu fome física com fome de amor. Ela supriu a fome de amor e fragilizou seu filho para lidar com as frustrações. Seu filho – agora adulto – vê na pessoa que ama a mãe que sempre lhe disse SIM. A pessoa amada passa a ser sua mãe superprotetora. Seu grande amor passa a ser também sua grande mãe ou sua mãe por excelência. O amante possessivo vive para tonar o outro um escravo de seus caprichos. Acha que é dono da vida alheia. O outro tem que viver para dizer SIM aos seus desejos. O possessivo pode surtar diante de um NÃO. Sua forma de amar não respeita a autonomia alheia e não leva em conta a diferença. É um amor grudado – quase como se DOIS fosse UM. Na ausência do outro ele se esvazia e enlouquece. A falta lança o amante possessivo no vácuo do desespero. Ele não possui mecanismos psicológicos de sustentação no vácuo. Os amores possessivos começam com pequenas crises de ciúmes. Qualquer sinal de rompimento resulta em chantagens e ameaças. Familiares e amigos precisam estar atentos aos primeiros sinais de agressividade. É preciso intervir para evitar danos maiores. Nesses casos, em briga de marido e mulher todos devem “meter a colher”.

Autor: Evaristo Magalhães – Filósofo e Psicanalista