Minha OPINIÃO sobre a AMIZADE…

O que é  a amizade? São duas ou mais pessoas que se encontram – com frequência – sem armadilhas e sem máscaras.

Não é possível uma amizade travada. Não é possível uma amizade melindrosa.

Amigo não pisa em ovos.  Amigo não tem pudor em se mostrar. Amigo não escolhe as palavras e nem os assuntos.

Com o amigo tudo flui naturalmente. O amigo fica ansioso para compartilhar suas conquistas, derrotas e micos com seus amigos.  O amigo gosta de trocar opiniões. O amigo sente falta – e quer encontrar sempre.

Na amizade os defeitos e diferenças não ficam sobrepostos às qualidades. O amigo é sempre o mais inteligente, o mais divertido e o mais interessante.

O melhor abraço é o do amigo. O amigo pode ligar quantas vezes quiser. Não há receio quando o telefonamos e o amigo não atende.  Estamos de que ele retornará a ligação assim que puder.

O amigo espera de longe e atento. Na amizade, distância não significa rompimento. Todo amigo pode ter outros amigos sem deixar de ser único e insubstituível. Não existe amigo igual e ninguém toma o lugar de um amigo.

Na amizade vivemos – numa boa – a experiência da solidão e certos de que estamos acompanhados. Amigo faz tudo com gratuidade, sem artifícios e sem se sentir forçado.

Amizade é liberdade e leveza. É talvez o único traço de humanismo que ainda resiste ao nosso modo atual – consumista e descartável – de tratar as pessoas.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

Minha opinião sobre PESSOAS SINCERAS DEMAIS…

Não gosto de pessoas sinceras demais. Tenho uma certa reserva de quem finca o pé em uma coisa e não está nem aí para o que os outros vão pensar.

É constrangedor falar por impulsividade. Sinceridade demais pode soar agressivo e imprudente. Primeiro evitar o sofrimento – depois usar de sinceridade.

O que você diria a um soldado alemão que te perguntasse sobre seu amigo judeu  – que ele persegue – e que você esconde em sua casa? Você seria sincero? Não convém colocar a verdade acima de tudo. Primeiro a vida. Depois a verdade.

É válido abster-se de falar a verdade se não for para causar maiores danos.

Não estou dizendo que mentir seja uma virtude. Primeiro o humanismo, a docilidade e a sensatez; depois a sinceridade. Sinceridade às avessas é agir de forma inconsequente. Como diz o dito popular: de boas intenções o inferno está cheio.

Primeiro o cuidado, depois a sinceridade. Sinceridade descontrolada é sinal de insensibilidade e de descompasso emocional. É tagarelice, destempero, arrogância e falta de inteligência.

Quem possui a verdade? Não se trata de apenas deliberar e decidir. É preciso deliberar e decidir bem.

Primeiro a sabedoria, depois a sinceridade. Nem sempre a sinceridade é o melhor caminho para chegar ao que se deseja.

É preciso estar atento não apenas ao que acontece e, sim, ao que vai acontecer. É melhor cuidar dos riscos do que provocar algum dano. Pedir a opinião de outrem pode ajudar a melhor decidir.

Quantas coisas ruins já não aconteceram em nome da sinceridade? A boa vontade pode não ser uma virtude. Amizade e prudência, inteligência e lucidez: esse é o caminho.

Autor: Evaristo Magalhães – Filósofo e Psicanalista