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Evaristo Magalhães – Psicanalista

POR QUE QUEREMOS A FELICIDADE?

Grande parte dos livros de autoajuda, filmes e novelas sempre terminam prometendo a felicidade.

Na mídia, quando se quer vender um determinado produto, é quase automático associá-lo à uma vida vida feliz.

Todo mundo quer a felicidade como se a felicidade fosse uma coisa unívoca, como se ela não tivesse causa ou tivesse surgido do nada.

Há outro lado da felicidade. Embora evitemos saber dele, ele não cessa de dar as suas caras.

É por isso que não existe essa tal felicidade dos livros de autoajuda, dos filmes, novelas e dos comerciais de televisão.

Quem dera se a vida fosse essa felicidade água com açúcar que conhecemos?! Não é.

Deve ser por isso que tantos estão adoecidos mentalmente.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

TODO MUNDO TEM ALGUMA DEPRESSÃO …

Não queira saber dos motivos que te fazem ser uma pessoa ansiosa ou depressiva.

Não podemos querer saber de nossas causas ou razões – sob o risco de enlouquecermos.

Melhor é pensar que sua ansiedade advém de algum trauma infantil ou que sua depressão advém de vidas passadas.

Ninguém pode querer saber a verdade sobre si. Não há palavras sobre isso. É por isso que não temos cura.

Não seria a ansiedade uma espécie de construção esquisita disso que não sabemos acerca de nós mesmos? Não seria a depressão um tipo de performance melhor que a loucura ou o suicídio? Sim.

Então, seria normal ser ansioso ou depressivo? Em certo sentido, sim.

Há infinitas performances. No entanto, na impossibilidade de criarmos outra melhor, que fiquemos com a ansiedade e a depressão mesmo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

O QUE É UMA PESSOA CONTROLADORA?

Nunca goza de fato a vida quem tudo quer controlar porque só vive de pensar e quase nunca de sentir.

Uma pessoa controladora nunca descansa porque quer estar em todos os lugares e em todas as pessoas ao mesmo tempo. O que é estar em todos os lugares ao mesmo tempo, uma vez que o universo é infinito? O que é estar em todas as pessoas ao mesmo tempo, uma vez que ninguém é o mesmo o tempo todo?

Não é gozar repetir.

Nenhum acerto pode valer por muito tempo. Nenhuma ordem pode ser eterna.

Pode ser chato dominar o tempo todo. Chega uma hora em que cansa ganhar todos os campeonatos.

Pode ser interessante abandonar o doce para experimentar o azedo. Pode ser interessante virar do avesso ou colocar tudo de cabeça para baixo.

Por que não relaxar diante do fato de que não se pode ser tudo?

Do que uma pessoa controladora não quer ser surpreendida? O que ela teme?

A realidade é contraditória. Ninguém sabe o que poderá acontecer nos próximos segundos.

Quem dera se a vida fosse só manter a casa toda organizada, repetir as mesmas coisas no trabalho ou achar que o outro tem que querer como achamos que tem que ser?!

No fundo, quem muito controla sempre termina experimentando o descontrole porque distancia ou perde – por sufocamento – as pessoas que dizem tanto cuidar ou amar.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

O QUE QUEREMOS QUANDO AMAMOS ALGUÉM?

O que queremos quando nos envolvemos com alguém? Queremos amor, compreensão e respeito. Ou seja, só queremos coisas boas. Só queremos o lado bom da pessoa.

É por isso que o amor não é a verdade. O amor é uma ilusão porque só sabemos amar uma parte de quem amamos. É quase como se acreditássemos que o amor tivesse o poder de curar e de purificar o outro de algo que não suportamos nele.

O amor não tem esse poder. Nada tem esse poder.

Nesse sentido, o amor é meio que uma mentira que inventamos para não enxergamos a vida como ela é.

Tanto isso é fato, que quando uma pessoa não condiz com o que esperávamos, brigamos no sentido de trazê-la a de volta para o que entendemos como sendo a verdade sobre ela.

Ou seja, retornamos para a ilusão. Melhor, não sabemos amar por inteiro. Só sabemos amar pela metade. Inventamos o amor como se ele pudesse nos dar uma pessoa limpinha de algo que não queremos saber dela.

É por isso que os casais se desentendem e até se matam por amor.

Agredimos o outro porque não sabemos lidar com a verdade sobre ele. Agredimos porque carregamos a fantasia de que ele pode ser a vida toda bonitinho, santinho e certinho.

O amor não é a verdade sobre nós mesmos. O amor é um tipo de recalque. Usamos o amor para recalcar o que não gostamos no outro ou em nós mesmos.

Amamos quem nos dar o que queremos e odiamos quem não corresponde aos nossos desejos.

Isso que odiamos no outro, precisa ser amado também. Caso contrário, nunca teremos paz para amar.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

IDIOTA É QUEM PENSA E SONHA …

Aprendemos que diante dos problemas da vida, basta pensar e basta sonhar que tudo estará resolvido.

E quando nenhum pensamento resolve? E quando não adianta sonhar que não virá?

Somos sobremaneira ingênuos quando achamos que podemos ser salvos pela razão e pela imaginação.

Ficamos acabados quando nos falta a palavra e a fantasia. Não deveríamos! Muito pelo contrário, deveríamos comemorar.

Quase nunca somos quem gostaríamos. Quase sempre somos o que o outro gostaria que fôssemos. Por isso, pensamos e sonhamos só os pensamentos e os sonhos que os outros gostariam que pensássemos e sonhássemos.

Portanto, deveria morrer quem não somos e deveria renascer quem somos quando tudo o que aprendemos deixa de funcionar para nós mesmos.

Mas, somos covardes conosco.

Quando tudo blefa, desembestamos e repetir o que já sabemos que vai blefar de novo. Ou seja, vivemos para jogar pelo ralo as oportunidades que a vida nos dá de inventarmos quem somos por nós mesmos.

É uma pena!

Evaristo Magalhães – Psicanalista