POR QUE OS AMORES CAEM NA ROTINA?

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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Nenhum livro tem a receita do amor ideal.

Tudo – religião, ciência e filosofia – zera quando duas ou mais pessoas se encontram para amar.

Portanto, não existe amor para sempre, constante e regular. Como somos imprevisíveis, só podemos definir o amor como sendo arte. Não uma arte original que quando concluída é fixada na parede. Mas, uma arte que caduca no exato segundo em que é concluída.

O outro pode daqui a pouco mudar toda a sua forma de amar. Isso não é porque ele é louco, bipolar ou desequilibrado e, sim, porque seu amor de agora nunca servirá para preencher qualquer vazio seu de depois: terá que ser um novo amor – ou outra coisa.

O outro não é contraditório: ele só está tentando se reinventar.

Tudo o que fazemos é para transpor os vazios a que somos acometidos. Ocorre que o vazio sempre retorna no exato momento em que achamos que o abocanhamos com o que fazemos. O vazio é intransponível.

Portanto, não existe essa história de que hoje sou feliz e, por isso, estou garantindo de que serei feliz o resto da vida.

Qualquer felicidade zera no mesmo instante em que foi vivenciada. Jamais saberemos o que virá depois disso.

Desse modo, só consegue se dá bem no amor quem é capaz de amar todos os amores possíveis.

Aliás, só consegue ser feliz no
amor quem é capaz de criar novas formas de amar o tempo todo.

Fora isto, não é amor. É rotina!

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NÃO ESPERE RECONHECIMENTO DE NINGUÉM …

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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Nossas ações, quase sempre, estão atreladas ao desejo de sermos reconhecidos. Achamos que quanto mais pessoas aprovarem nossos atos, melhores seremos. Tanto isso é verdade que as redes sociais estão abarrotadas de malucos obcecados por fama, poder e dinheiro.

Vivemos ansiosos e angustiados porque colocamos nossas ações na dependência da concordância alheia. Contudo, é impossível demarcar um limite quanto ao que é necessário de aprovação para eu me sentir bem.

É porque estamos presos ao entorno, que hierarquizamos nossas ações e achamos que certas atitudes nossas são insignificantes – porque não fazem o menor sentido para ninguém. Ledo engano!

Não são nossas ações que envolvem os outros que deveriam mais nos importar. Sobre essas, jamais nos sentiremos seguros de quem somos.

A verdadeira felicidade está em valorizar o que podemos por nós mesmos – e sem a necessidade da avaliação de quem quer que seja.

A verdadeira felicidade está no que tomamos como sendo coisas menores. Ou seja, está na comidinha gostosa que podemos fazer para nós mesmos, no sol e no ar fresco da janela que abrimos assim que acordamos, no modo prazeroso que nos tocamos debaixo do chuveiro, dentre outros.

O melhor saber-fazer não está em conjugar a própria vida com outras vidas. Isso é loucura! Há o que podemos por nós. E é só aí que podemos ser nós mesmos – porque é só aí que nosso prazer é cem por cento completo!

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SOBRE O ABORTO …

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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Uma pessoa pode se desejar fazer mal: vide os alcoólatras, os dependentes químicos e os obesos extremos.

É possível tratar uma pessoa que se deseja fazer mal? Sim. É preciso que ela se pergunte por que ela quer se fazer mal, do que ela quer se desviar se fazendo mal ou do que ela quer se punir quando provoca o mal em si.

E quando a pessoa não se deseja o mal? Estou falando de crianças que são estupradas e que acabam grávidas vítimas desse estupro. Tem tratamento? Sim. Porém, a saída não é ela se perguntar acerca dos motivos que a levaram a se fazer mal. A saída não é pelo pensar sobre si assumindo suas responsabilidades pelo seu dano.

A saída é pelo ato. E, nesse contexto, dois atos passam a ser de fundamental importância para que essa criança recupere, em alguma medida, a sua dignidade emocional e moral: o aborto e a penalização desse adulto criminoso.

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O QUE É A PSICOPATIA?

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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Ao se reconhecer no espelho, o bebê não apenas toma consciência de sua imagem. Ele não apenas se dá conta de que possui um corpo. Ele adquire a capacidade cognitiva de se perceber como pertencente à humanidade – não apenas por semelhança física, mas por proximidade moral e ética. É, a partir daí, que ele se dá conta de não poder fazer certas coisas com o outro para não dar direito ao outro de fazer certas coisas consigo.

Não sabemos ao certo, mas algo aconteceu nesse encontro do psicopata – quando bebê – com sua imagem que o impediu de estender a humanidade de si à humanidade do outro.

Houve nele uma espécie de curto-circuito nesse quesito. Ou seja, ele parece humano, mas o que há de mais humano no outro não adentrou nele. Ele reconhece o outro, sabe seu nome e se comunica com ele, mas não o reconhece como um ser que sofre, sente dor e medo.

Deve ser por isso que o psicopata assusta tanto. Ele não adquiriu os sentimentos de compaixão e piedade pelo sofrimento alheio – e não existe nada pior na vida que a dor e o sofrimento.

É por isso que ele não sente culpa e empatia. Como é possível a alguém não se comover com a dor do outro? Como é possível a alguém deixar fora de si a dor de um semelhante seu sendo assassinado ou morrendo de fome? Sim, o psicopata consegue.

Há aqueles que não conseguem constituir uma imagem de si. No entanto, é assustador constituir uma imagem de si e do outro e infringir nele tudo de pior – e não reconhecer isso como sendo pior.

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NÃO QUEIRA MUITO AMOR DE QUEM TE AMA …

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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De modo geral, quando somos amados, mais amados queremos ser. Isso é bom? Não. É por isso que quem é amado é, também, responsável quando vira refém de quem lhe ama.

Portanto, nunca queira muito amor de quem quer que seja. Pelo contrário, queira menos amor. É muito perigoso acostumar alguém a te amar. Isso pode virar uma doença de amor.

Quando acostumamos alguém a nos dar amor, alimentamos a ilusão de que daremos a ele a mesma medida do amor que recebemos.

Quanto mais amor queremos do outro, mais alimentamos o amor dele por nós. É porque alimentamos esse amor, que o outro pode criar – conosco – uma relação de dependência amorosa.

Para haver amor próprio, é preciso faltar amor. É porque falta o amor da mãe, que a criança resolve buscar esse amor fora dela. Caso isso não aconteça, a criança pode crescer com sérios transtornos em seu desenvolvimento.

Não podemos receber todo o amor que queremos e nem dar a todo o amor que alguém quiser de nós. Não existe todo amor.

Quantos já não se mataram porque amaram demais ou porque não tiveram todo o amor que gostariam?

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O QUE É O ÓBVIO?

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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O óbvio não é a desigualdade social, a lgbtfobia, o racismo e a misoginia.

O óbvio é o que ultrapassa as diferenças entre ricos e pobres, entre héteros e gays e entre homens e mulheres.

O óbvio é o que ninguém quer ver. É o que sairá vitorioso sobre todas as distâncias econômicas, raciais e de gênero.

O óbvio é que estamos todos caminhando – independente de nossas condições sociais e sexuais – para o mesmo fim.

O óbvio é a ilusão de que o dinheiro e o poder podem nos livrar do que – de fato – somos.

Nosso maior dilema não é a questão financeira e as dominações no campo das sexualidades. Nosso maior problema é o poder que não temos sobre nós mesmos.

Na verdade, utilizamos os dilemas sociais e comportamentais para tamponar o que é mais que óbvio em nós mesmos.

O óbvio é o que se tomássemos como sendo nosso, não haveria desigualdade social, racismo, lgbtfobia e nem machismo.

A verdadeira dominação não é política e nem sexual. Há uma outra dominação – que é invencível para todos.

Mais importante que passar do capitalismo para qualquer outra coisa, é passar da mentira para a verdade. Qual verdade? A mais escancarada de todas: somos perecíveis!

Se fizéssemos essa passagem, seguramente, chegaríamos à conclusão de que não existem diferenças – uma vez que independentemente de qualquer coisa, terminaremos todos no mesmo lugar.

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O QUE A ARTE TEM PARA NOS ENSINAR?

O QUE A ARTE TEM PARA NOS ENSINAR?

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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Temos muito o que aprender com os artistas. Não sabemos de onde viemos e nem para onde vamos. Como nos posicionamos frente a isso? Com angústia e ansiedade? Com depressões, somatizações e surtos? Os artistas se posicionam com arte.

Gosto quando o cinema faz graça dos nossos impasses de ser. Gosto quando o humor transfigura nossa dor de existir em riso. Gosto quando a pintura dá forma e cor aos nossos dramas. Gosto quando o poeta junta em um mesmo verso nossas alegrias e tristezas. Gosto quando a arte traz o mórbido misturado com imagens, cores, sons e gestos.
Gosto quando arte nos devolve o olhar para o inevitável.

Ninguém quer ver a próprias mazelas a olho nu. É por isso que a arte é necessária. Ela dá dignidade ao que mais nos perturba. Ela torna sublime o que de pior somos. Ela é a borda do belo contornando o esquizo.

É uma pena que sabemos tão pouco de arte. É uma pena que não aprendemos a fazer arte. Deve ser por isso que consumimos tantos ansiolíticos e antidepressivos. Deve ser por isso que tantos estão surtando ou pondo fim à própria vida.

Sem a arte nossos dilemas permanecem recalcados – e retornam muito pior.

Sem a arte não suportamos a realidade. Com a arte podemos tangenciar o real – sem pânico e sem desespero. Podemos – e bem perto dele – tomá-lo como sendo nosso!

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QUAL A MAIOR SABEDORIA DA VIDA?

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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Não é a vida que pesa. O que pesa são os pensamentos. Não existe pensamento que não seja – também – preocupação e medo.

Não existe pensamento único sobre qualquer coisa. Todo pensamento carrega – atrás de si, ao seu lado e na sua frente – uma série de outros pensamentos esquisitos.

A palavra empregado carrega a palavra desempregado. A palavra amor carrega a palavra desamor. A palavra vitória carrega a palavra perda.

É por isso que nunca nos sentimos cem por cento amados. Não existe verdade absoluta sobre qualquer coisa.

Sofremos porque, no fundo, não nos sentimos protegidos. Mesmo tendo nossas casas, carros e contas bancárias, sabemos que existe um breu em torno de tudo isso.

Não é o outro que agredimos. Agredimos é a situação porque nunca conseguirmos dizer claramente o que gostaríamos.

As palavras não são as coisas. A palavras não são as ideias. As palavras não são os sentimentos. Nunca daremos conta de dizer exatamente o que gostaríamos.

Na vida, não existe essa história de ignorante e de intelectual. Existencialmente, estamos todos no mesmo barco – e com nebulosidade por todos os lados.

Nunca estamos certos se foi realmente o que aconteceu. Sempre é possível interpretar de outra forma. Se estivéssemos sob outro ângulo – certamente – enxergaríamos diferente.

Portanto, nunca saberemos ao certo como foi e nunca teremos pleno controle sobre o que está ao nosso lado, atrás de nós e à nossa frente.

Mesmo a pessoa considerada a mais poderosa, a mais bela e a mais rica do planeta, não está imune desses enigmas.

Não entendo o motivo de tanta gente obcecada por estética e por dinheiro. Nada supre o que não somos. Deve ser por isso que as pessoas ditas mais intelectualizadas, bonitas e poderosas são, também, as mais problemáticas.

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EU ADORO O NADA …

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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Criamos nomes e números para os dias da semana, meses e anos. Daí, inventamos que temos uma idade. Ontem éramos assim, hoje não somos mais e amanhã, provavelmente, seremos bem diferentes. Criamos tudo isso para termos a sensação de que viver faz algum sentido. Ou seja, viramos dependentes da mudança. Viramos viciados por novidades.

Por que viramos dependentes do movimento? Por que olhamos tanto para o Whatsapp? Por que estamos ensandecidos para que alguma coisa aconteça? Porque é pelos acontecimentos que criamos uma borda para o vazio que somos. Se nada acontecer, ficamos sem rumo. A vida perde o sentido. Ficamos sem sem nada saber – na vertical e na horizontal da vida.

O que fazemos e o que faremos é o que nos protege do que está depois – e que não sabemos – do que temos a nossa frente e ao nosso lado. É por isso que não podemos parar nunca.

No entanto, a vida pode parar. Nada pode acontecer. Estamos terminando o que temos e não temos outra coisa para ligar com isso que está no fim. Contudo, para muitos é desesperadora essa sensação de ter que caminhar no nada – sem nada para pensar e sem nada para fazer.

Os orientais sabem que é exatamente nesse vácuo que está a verdade da vida.

Nós, ocidentais, ao contrário deles, inventamos o pânico e a depressão quando estamos diante disso.

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VOCÊ É VOCÊ OU É OS OUTROS?

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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Ao nascermos, partimos do que os outros fizeram para construirmos quem somos.

Mesmo vendo as pessoas infelizes, depressivas e revoltadas, seguimos a mesma cartilha delas em busca da nossa felicidade.

O máximo que conseguimos é aprimorar o já feito. Acreditamos que podemos tapar os buracos de uma evolução que não vem dando certo. Mais repetimos que inovamos.

Não inovamos porque não partimos de nós mesmos. Carregamos o mesmo drama do primeiro humano que chegou aqui. No entanto, preferimos nos agarrar às ficções que foram inventadas a partir dele, do que abrir de tudo e começar do zero.

Temos o zero. Não sabemos de onde viemos e nem para onde vamos. Vamos envelhecer e vamos morrer. Nesse sentido, em nada diferenciamos dos nossos antepassados. Contudo, permanecemos repetindo as mesmas ferramentas utilizadas por eles no enfrentamento de seus dramas existenciais. Desse modo, jamais avançaremos. Ou seja, permaneceremos infelizes, depressivos e revoltados.

Para sairmos dessa bola de neve, precisamos abrir mão de toda essa parafernália e retornarmos ao ponto de onde a humanidade pouco avançou.

Precisamos retornar ao que nada somos e inventar quem somos a partir daí.

Temos coragem? É o que a psicanálise nos convida!

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