POR QUE SOU PSICANALISTA E, NÃO, PSICÓLOGO?

 

Durante séculos algumas psicologias insistiram em nos iludir que a explicação para nossos medos, depressões, angústias e ansiedades estaria em nossa história de vida. Daí, desembestamos a falar de abandonos, abusos e perdas.

Outras psicologias diziam que se fôssemos bem treinados, estaríamos curados de tudo o que nos atormenta mentalmente.

Nenhuma dessas fórmulas deu certo. A humanidade continua, amedrontada, depressiva e ansiosa.

Não existe história e nem treinamento para nossos dramas emocionais. A explicação para tanto destempero não é biográfica. Os motivos de nossas dores existenciais não estão escondidos nas gavetas do fundo da nossa memória.

A explicação para nossos dilemas não começa no dia em que nascemos.

Ninguém é culpado das nossas loucuras.

Para descobrirmos os porquês de nossos medos, depressões, angústias e ansiedades precisamos perguntar qual é a verdade última do nosso corpo.

A psicologia não nos faz ir de encontro à essa verdade.

Só deixaremos de sofrer, o dia em dermos conta de amar isso!

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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A MELHOR COISA DA VIDA É SOFRER POR AMOR

 

Quantos não sofrem por amor? Isso é ruim? Para a maioria é o que há de mais desesperador. Quantos não se matam por isso? Não deveria ser assim!

Suportar a perda de um grande amor é a maior prova de amadurecimento que existe. Quem dá conta de um adeus amoroso é porque aprendeu a lidar com a única certeza que temos na vida: perderemos tudo e terminaremos a sós.

Não é masoquismo sofrer por amor. Nunca estamos tão próximos da verdade da vida quando perdemos alguém.

A felicidade no amor é a maior mentira da vida. A vida não nos ama. Não adoeceríamos, não envelheceríamos e não morreríamos se a vida realmente nos amasse.

A vida não quer que nos iludamos com o ter e com o ser. Não deveríamos cobrir nossos mortos de flores. Não deveríamos nos entupir de antidepressivos porque estamos angustiados. Experimentar, encarar e carregar a angústia é a atitude mais revolucionária que se possa ter.

Ninguém está tão perto da verdade quando está diante de uma perda.

É pura covardia querer decifrar os enigmas de existir. É pura covardia querer superar o vazio que ficou. Perder – também – não deveria ser sinônimo de sofrer. Perder deveria ser visto como a experiência mais normal da vida – uma vez que perder é a única possibilidade que temos de ir de encontro ao que somos de mais verdadeiro!

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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O QUE É VIVER DE VERDADE?

Não seremos expulsos do mundo quando morrermos. Fomos expulsos do mundo logo que aprendemos a falar.

Passamos quase a vida toda muito mais fora que dentro do mundo.

As palavras não são coisas: que relação existe entre seu nome e você? Nenhuma. A palavra maçã nada diz da fruta maçã.

Sofremos porque queremos colar as palavras nas coisas. Seria ótimo se apenas trocar juras de amor fosse suficiente para grudar o amor entre os amantes.

Criamos um mundo à parte quando falamos. É por isso que a verdade não está em usufruir da vida guiado pelas palavras. A verdade está depois de todo blá-blá-blá: a verdade é o sentir.

Por que não nos permitimos sentir? Porque vivemos de pensar e de julgar o que sentimos. Daí, represamos o que sentimos com culpas e recalques.

Represar quer dizer destruir? Não. Jamais eliminaremos nossos sentimentos exatamente porque as palavras não têm esse poder. Melhor, porque sentir é outra coisa diferente de pensar e de falar.

A palavra nos desintegra do mundo e dos sentimentos. O sentir, o olhar, o tocar e o paladar nos trazem de volta para conhecermos e experimentarmos a vida em toda a sua inteireza.

Só experimentaremos – de fato- quando nós dispormos a fazer o caminho inverso: não do mundo para as palavras, mas das palavras para o mundo.

Isso – sim – é o que podemos chamar de epifania!

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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QUEM É VOCÊ ANTES DE VOCÊ?

A felicidade não é você ser compreendido pelos outros. A felicidade não está de você para alguém.

Não é para frente que encontramos o caminho. A saída não é de mim para o outro e nem de mim para mim. A saída está de mim para antes de mim.

O que está antes mim? Nenhuma religião, filosofia ou ciência pode me dizer. Esse saber é o mais genuinamente meu.

Quem só dá conta de olhar para depois de si é porque necessita de um subterfúgio para esconder o que vem antes de si.

Só sabemos de nós do zero para um. Não sabemos de nós do zero para antes do zero.

Há um avesso. Todo mundo tem um antes.

A felicidade não é ignorar a anterioridade de si. A felicidade é levar o antes de si para depois de si. Não podemos querer que outro saiba de quem somos sem que saibamos primeiro acerca de nós mesmos.

Como é possível seguir sem que se saiba de onde tudo começou? Como podemos ser compreendidos se não nos compreendemos? Como podemos querer uma felicidade entremeada de enigmas, angústias e ansiedades?

Seguir, sim, mas só depois de resolver quem se é. Só assim será possível dar seguimento – e com alguma leveza!

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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NINGUÉM É HOMOSSEXUAL …

No amor, ninguém é homossexual porque ninguém é igual.                                                       Não faz sentido igualar pela anatomia. Somos muito mais que um corpo.                                   Estar com corpos, é fácil! Quero ver é estar com pessoas. Tocar, beijar e transar, é fácil! Quero ver é dar conta das neuroses que o outro inventa para lidar com o que em si é sem solução.                                                                Sempre buscamos por um igual. É por isso que, em geral, as relações desandam. Em nossa cultura, igualdade é felicidade e diferença é dor. Ocorre que a dor é inevitável.                       Não é o outro-diferente que não suportamos. Não suportamos é a diferença do outro que é nossa. Não suportamos é o espelho que o outro faz de quem somos.                                                  Não importa se é homem com homem, mulher com mulher ou homem com mulher. O físico é o de menos.                                                               Somos todos perda, independente do gênero. Ninguém sabe ou pode tudo. A questão é o modo singular como essa perda bate em cada um: não existe solução para ela. O desafio é como a enfrentamos no outro.                    Ninguém quer sofrer: essa é a grande diferença!   A homossexualidade é ser capaz de suportar a própria dor de viver na dor de existir do outro. A homossexualidade é mais profunda. Nisso, o que menos importa é se é homem com homem, mulher com mulher ou homem com mulher.     A igualdade deveria se dar não pelas semelhanças físicas, mas na dor de existir de cada um!                                                                         O amor é outra coisa muito diferente da biologia!
Evaristo Magalhães – Psicanalista       Atendimento online: WhatsApp 31 996171882 Instagram:@evaristo _psicanalista

O QUE É A PSICOPATIA?

Quando crianças, ao agirmos de modo agressivo, somos chamados a atenção por nossos pais ou por algum adulto próximo.

Na falta de um “não”, seguimos fazendo, e quanto menos “nãos”, mais avançamos em direção à delinquência.

É assim que nasce um sociopata.

Na política, a condescendência, a vista grossa, a troca de favores e a impunidade, funcionam como máquinas para a criação de sociopatas.

Não podemos permitir que quem quer que seja se sinta como se não existisse mais ninguém depois de si.

Não pode existir nenhum outro sem Outro.

Historicamente, já tivemos sociopatas que conseguiram dominar e converter multidões ao seu delírio- e sabemos dos estragos que deram essa loucura coletiva.

Ninguém suporta viver sob a égide de alguém que acha que pode tudo.

Frente a um psicopata, desenvolvemos o que há demais insuportável em nossa psiquê: delírios de perseguição, paranóias e medos.

Quando ficamos adultos, nosso grande Outro deixa de ser nossos pais e passamos a seguir as leis e as instituições. Estamos perdidos quando esse nosso novo-grande-Outro se permite dominar por um outro que chega dizendo ser um Messias.

Qualquer religião quando misturada com política, inevitavelmente, vira uma espécie de psicopatia.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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NÃO QUEIRA UM GRANDE AMOR …

Por que esperamos encontrar o maior dos amores? Por que queremos o emprego dos sonhos? Por que queremos a melhor casa, o carro do ano e o mais recente aparelho celular? Por que queremos viajar o mundo?

Tudo isso não é só por status. Não podemos nos eximir de nossos desejos.

Queremos amores, dinheiro e viagens porque acreditamos que algo de fora pode suprimir o que somos por dentro. Ou seja, iludimo-nos de que somos menores que o mundo. Não somos!

Somos infinitamente maiores que tudo. Não existe objeto capaz de tamponar nosso buraco existencial. Toda compulsão é um tipo de paranoia mórbida de que se pode obter quem se é através das riquezas do mundo.

Todo mundo – em algum momento da vida – se dará conta do quanto se iludiu ao buscar a felicidade nas materialidades.

A depressão não é nada mais que a decepção de querer ser completo com as coisas do mundo.

Não adianta querer ter para suprimir quem se é. Não é saber para vencer o não-saber. Não é ter para eliminar o não-ter. É saber com o não-saber. É ter com o não-ter.

Não é a falta que vem antes da conquista. A falta vem antes, durante e fica depois da conquista. Não existe vitória sobre a derrota. É tudo junto: vitória e derrota.

Nossas verdades não nos largam por nada! Somos insuperáveis!

A felicidade é a humildade!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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O QUE NÃO QUEREMOS VER?

Diante de alguém com depressão, nosso primeiro impulso é o de pensar que aconteceu algo na história de vida dessa pessoa que a tornou triste, desmotivada e desesperançosa da vida.

Daí, partimos em busca desse suposto acontecimento. Encontramos acidentes, agressões e abandonos. Tudo datado, com personagens, ano, dia e hora.

Será que estaria aí a causa de nossos dilemas psicológicos? Será que o entendimento de nossos transtornos existenciais não seria anterior às explicações que aprendemos com as ciências e com a filosofia? Será que a cura para as nossas infelicidades estaria em explicar e compreender o que nos incomoda? Não seria muito mais uma questão de ver?

Não seria a mania de tudo querer explicar um modo de não querer ver?

Por que não adentramos no antes das explicações? Por que não apenas vemos? Por que não apenas mostramos? Por que não apenas revelamos?

Gosto do psicanalista que se cala para fazer emergir o olhar!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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