O QUE É O INCONSCIENTE DE FREUD?

Não adianta se entupir de teorias sobre o amor. O próximo amor que você encontrar não será nem um pouco igual àquele descrito nos manuais que você devorou.

Temos a mania de querer antecipar as coisas. Queremos nos precaver para a hora que acontecer. Queremos um guia, uma luz, uma direção. Doce ilusão!

Podemos saber tudo sobre morrer que nada diminuirá o desespero da hora da nossa morte.

Nenhuma medicina poderá nos livrar do fato de que vamos envelhecer.

Tenho pena dos muito ricos que tomam o dinheiro como a única garantia da felicidade. Nada pode nos assegurar de que estaremos felizes daqui a pouco.

O dinheiro não compra o imprevisível.

Ninguém pode – sequer – imaginar o que irá acontecer. Teremos que esperar acontecer para ver o que vamos fazer.

A vida não é saber. A vida é saber-fazer. O que faremos? Só podemos torcer para que façamos bem feito.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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SOBRE MILITÂNCIA EM REDE SOCIAL …

Imagina um tanto de gente falando ao mesmo tempo em sua cabeça? Acho que é mais ou menos isso que vem acontecendo conosco nas redes sociais. Em segundos, saímos de um lugar, vamos para outro e pulamos para outro. Depois, já está na hora de recomeçar tudo de novo. Daí, entramos em um círculo vicioso sem fim.

Pelo tempo curto de permanência em cada lugar, estamos em todos e ao mesmo tempo em lugar nenhum. Enquanto isso, as coisas estão acontecendo no mundo real e, nós, absortos em um mundo virtual fútil.

A realidade é complexa. Necessitamos de tempo, atenção e muita concentração para compreendê-la. Hoje, é quase uma afronta, um professor pedir aos seus alunos a leitura cuidadosa de um livro ou de um artigo científico.

Qual a diferença entre ler um livro e ler postagens de rede social? Nas redes tudo é superficial. Os assuntos não se ligam: tudo é fragmentado. Falta foco, rigor, sistematização e profundidade. O livro, geralmente, parte de um tema, faz um recorte e o autor tem a preocupação de fundamentar seu ponto de vista com argumentos e dados da realidade. Ao final da leitura, temos uma compreensão ampla e aprofundada sobre o tema.

Penso que quanto maior o entendimento da realidade, mais mobilizados ficamos para modificá-la. Deve ser por isso que estamos tão paralisados: resolvemos fazer militância só de rede social. Não creio ser este o melhor caminho.

Precisamos retomar nossas leituras, nossos encontros, congressos, seminários, simpósios, debates e rodas de conversa. Precisamos voltar a ler e a escutar o outro. Ao fazermos isso, o convidamos à delimitar, buscar as diferentes nuances e nos oferecer uma visão panorâmica do assunto escolhido. Precisamos retomar nossa situação no mundo. Estamos perdidos. E sem referência, fica impossível planejar qualquer ação.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

DEUS NÃO É A VERDADE …

O que é o saber? O saber é a verdade. O que é a verdade? A verdade é que a verdade não existe. Este é o verdadeiro saber. No entanto, as pessoas querem impor um certo saber como sendo a verdade. Querem impor – agora – um saber para o que ainda vai acontecer.

Extraímos o saber que temos de vivências passadas. A vida não é constante ou regular. A vida é fluxo: tudo muda o tempo todo no mundo. O saber de agora pode de nada valer para o que está por vir.

Não adianta impor que o saber do passado valerá para o futuro.

É a realidade que enlouquece as pessoas. Não é possível querer impor um saber à realidade. Deprimimos quando o saber que temos não se encaixa na realidade: ficamos no vácuo. Nossa arrogância quer tudo preencher.

O ateu sabe que Deus não preenche, mas mesmo assim os religiosos querem obrigá-lo a acreditar que preenche. O ateu aceita a verdade e os religiosos querem obrigá-lo a uma mentira. Quantos já não morreram por resistirem à esta mentira?

Nosso problema são as pessoas que querem nos obrigar a um certo saber quando já sabemos que esse saber não serve mais.

Nosso problema são as pessoas que não nos permitem criar sobre isso que o saber que elas querem nos impor não funciona mais.

É desesperador quando sabemos que não serve e não podemos criar. Deve ser por isso que os artistas enlouquecem ou são tidos como loucos.

Evaristo Magalhães – Psicanalista