SOMOS …

ficção,

fricção

ou

fixão?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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NÃO EXISTE AMOR ETERNO …

Ao amarmos uma pessoa, precisamos nos perguntar pela base do nosso amor por ela.

Não será amor se a amarmos só por sua beleza física, por sua conta bancária ou por sua inteligência.

Nunca é amor quando o que nos completa é o que o outro tem concretamente.

Só é amor quando fazemos o outro cair em nosso amor. Ou seja, quando o amamos depois dele mesmo. Quando amamos no que ele não é e no que ele não possui. Quando o amamos em sua falta.

Lacan diz que amar é dar o que não se tem.

No entanto, só sabemos amar o que o outro é. É por isso que angustiamos, entramos em pânico ou ficamos agressivos quando ele falta.

Na verdade, quando o outro falta, esse problema não é dele. Deprimimos, porque a ausência do outro nos remete à nossa própria ausência.

Não sabemos continuar amando na falta porque não sabemos amar a nós mesmos em nossa própria falta.

É preciso amar o desamor. Nenhum amor é eterno!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

POR QUE NÃO FAZEMOS A REVOLUÇÃO?

Não resolvemos porque queremos manter a fantasia, não queremos perder nossas ilusões e muito menos colocar nossos sonhos à prova.

É melhor ficar na imaginação que descobrir que a verdade não existe.

Não resolvemos porque sabemos que teremos que criar outra fantasia.

Não sabemos de onde viemos e nem para onde vamos. Resolver seria experimentar esse vazio. E é ele que não suportamos.

É por isso que não rompemos com nossos amores tóxicos e não abrimos mão de nossas manias e vícios. Não suportamos ficar sem nada.

Deve ser por isso que não fazemos revolução. Para não descobrirmos que – também – não é a revolução a solução dos nossos problemas.

Tudo o que somos e inventamos é para camuflar nossas verdades.

Vivemos de fantasias. No entanto, chegará a hora em que nenhuma beleza, nenhuma conta bancária e nenhuma inteligência será suficiente.

A hora da verdade é inevitável para todo mundo.

É por vivermos em um mundo de ilusões, que precisamos nos preparar para o pânico.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

NARCISO ACHA FEIO O QUE NÃO É ESPELHO …

Buscamos o tempo todo quem gostaríamos de ser. Brigamos com o espelho até que ele nos dê o que queremos.

Somos realidade e desejo. A realidade é quem somos e o desejo é quem gostaríamos de ser.

Por que jamais conseguiremos ser quem desejamos? Existe um terceiro entre quem somos e quem gostaríamos de ser. Somos quem desejamos e somos o Outro. É este Outro que não suportamos. É ele que nos perturba.

Esse Outro é a verdade de que estamos envelhecendo e de que estamos morrendo.

Curiosamente, vivemos para fugir dele. Ocorre que é muito tênue a linha entre fugir e ir de encontro a ele. É o caso dos tantos rapazes que já morreram tomando anabolizantes para cavalos. É o caso de certas celebridades que estariam bem melhores se não tivessem feito tantas cirúrgias plásticas.

Não nascemos e vamos morrer um dia. Não somos jovens e um dia seremos velhos. As coisas não deveriam vir assim em separadas. A morte começa com o nascimento e a velhice não está separada da juventude. Separar é iniciar uma luta contra o que não suportamos – e que nos é inevitável.

Certamente, essa luta não terminará bem!

A humildade é a verdade da vida!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

O QUE É SER RESPONSÁVEL?

Responsabilizar é responder. Não sabemos de onde viemos e nem para onde vamos. Não podemos conter o fato de que estamos envelhecendo e de que vamos morrer. Não há resposta. É preciso se responsabilizar. Ou melhor, é preciso construir uma resposta sobre isso – sob o risco de enlouquecermos.

Estamos destruindo o planeta. Ninguém tem a solução definitiva para o problema da desigualdade social. Não sabemos o que fazer com tanta violência. Temos que nos responsabilizar. Precisamos responder de alguma maneira o que estamos fazendo com o meio ambiente e com a miséria social.

Por que uma resposta? Porque toda resposta precisa ter lógica. Toda resposta precisa fazer sentido.

Não é resposta matar para acabar com a violência. Não é resposta trocar a natureza pelo capital. Não é resposta a xenofobia, a misoginia, o racismo e lgbtfobia.

Ninguém quer perseguir ou agredir quem defende a violência – física ou moral – como solução para as nossas questões sociais. Só estamos tentando dizer, para essas pessoas, que essas práticas não fazem qualquer sentido. Ao mesmo tempo, estamos pedindo que nos apresentem suas razões para tal – ainda que isto não seja possível.

Só podemos agir a partir do que faz sentido. Fora do sentido, caminhamos para o revide, para a guerra e para a barbárie.

Evaristo Magalhães – Psicanalista