O QUE FAZER QUANDO A PESSOA QUE VOCÊ TANTO QUER, NÃO TE QUER MAIS?

A pessoa você quer muito não se encontra. No entanto, o dia está bonito, o céu está todo azul, a temperatura está agradabilíssima e ventila gostoso. A cortina faz barulho, o cão late e você pode dormir. Você pode acender um cigarro qualquer, fazer um café ou tomar uma taça de vinho. Você pode não fazer nada, ouvir o silêncio e ficar quieto. A pessoa que você quer muito não se encontra. No entanto, isso pode não significar o fim do mundo. Você olhar para baixo, para cima e para os lados de tudo o que estiver ao alcance dos seus olhos. A pessoa que você quer muito não se encontra, mas você tem uma infinidade de outras coisas ao seu redor. A imagem da pessoa que você quer muito não se encontra. Contudo, há todo um variado universo de formas e objetos que você pode olhar, pegar, manusear, sentir, deleitar e usufruir. Apesar da ausência da pessoa que você quer muito,  você pode ficar feliz por estar vivo, por ter um corpo, respirar, ouvir e ver. Você, provavelmente, ficará melhor depois de ler esta crônica. Se você quiser, poderá continuar escrevendo-a. Poderá falar de muitas outras delícias de viver, ainda que não esteja presente essa tal pessoa que você tanto quer.

Evaristo Magalhães – psicanalista

Anúncios

POR QUE AUMENTARAM OS CASOS DE SUICÍDIO INFANTIL?

Impossível alguém conseguir sobreviver, minimamente equilibrado, passando a maior parte do tempo enfurnado em dispositivos eletrônicos, sem quase nenhum contato com outro ser humano. Especialmente quando essa pessoa é uma criança. Não podemos tudo. Não sabemos tudo. Envelheceremos e morreremos. Perderemos pessoas amadas. Ficaremos a sós. Enfim, em algum momento, teremos que prestar contas com as nossas angústias de viver. Nenhum dispositivo eletrônico pode nos ajudar com isso. É na convivência que experimentamos essas sensações. É na troca de ideias que podemos antever nossa velhice, que podemos experimentar o fato de nem tudo saber e de nem tudo poder. É também na troca de ideias que adquirimos as ferramentas para lidar com tudo isso que nos é inevitável. O outro nos possibilita experimentar essas angústias e, comumente, na sua diferença, nos testemunha formas de lidar com ela. Uma mãe que entope seu filho de tecnologias, pode estar lançando-o em um abismo de depressão e melancolia. O outro é meu inferno? Também. Isso é bom? Por que não seria? É bom, porque viver não funciona como uma máquina que responde o tempo todo conforme o que esperamos dela. Viver é uma contradição intransponível. Ou abraçamos essa contradição e nos arranjamos com ela, ou veremos crescer, ainda mais, os casos de suicídio infantil. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

CONTRA TODA FORMA DE FANATISMO!

É sempre catastrófico quando as pessoas tomam as palavras como sendo coisas. Penso que isso só é válido em casos bem específicos. Por exemplo, quando alguns psicóticos estão certos de que são Jesus Cristo. Nesses casos, temos que alimentar seus delírios – uma vez que estes os protegem de passarem ao ato. Fora isto, ninguém deveria tomar as palavras como sendo coisas. Não deveríamos tomar as palavras como se estivessem caído do céu. Não deveríamos tomar as palavras como sendo hereditárias. Se tomássemos as palavras como sendo nossas, ou seja, como signos, os quais nomeamos certos sentimentos nossos, veríamos que somos muito mais que o sentido que essas palavras nos dão. A mulher é muito mais que a palavra mulher. Impossível reduzir o homem a uma ideia do que seja o homem. Gosto muito das pessoas que abandonam as palavras e se permitem sentir, até para inventarem outras palavras para os seus sentimentos. O mundo seria uma chatice se as palavras não pudessem ser questionadas em seus sentidos. Talvez, por isso, que as pessoas mais conservadoras não suportam as mais questionadoras. Creio que o que não suportam, é o fato de que essas pessoas mais ousadas, estão, no fundo, é se permitindo sentir para além do que as palavras da tradição determinaram como tal. Novas palavras abrem novos mundos. Novas palavras abrem novas emoções. Nosso mundo está atrevendo-se a questionar a gramática estabelecida – inclusive criando siglas para pensar outro sexo para além do masculino e do feminino. Em breve teremos infinitas possibilidades para além de somente ele e ela. No fundo, não são apenas novas palavras ou siglas, são novos modos de sentir. Que venham muitos, se for para o bem – porque amar não arranca pedaço de ninguém.
Evaristo Magalhães – Psicanalista

FALE MENOS, POR FAVOR!

Ainda não consigo conter minhas angústias com o meu silêncio. Sempre necessito de buscar o barulho mais próximo. Que seja uma música, um diálogo, a presença de alguém ou mesmo a minha própria voz ou um gesto meu qualquer. Nós, ocidentais, temos pânico do silêncio. Por isso, talvez, somos tão exagerados, escandalosos e compulsivos. Não tenho dúvida de que o silêncio é a verdade mais aproximada dos nossos dramas. Ele não pensa, não fala e não tem sentido. O barulho não preenche. O gesto não termina nunca, porque o espaço é infinito. Não existe a palavra da palavra. Não existe um conceito que seja definitivo. Talvez, por isso mesmo, queremos colocar palavras na boca dos autistas. Ao passo, que deveríamos aprender com seus silêncios. Não deveríamos entrar em pânico quando tudo falta. Se tudo falta, é porque tudo não existe. Se tudo não existe, é porque o nada é maior que tudo. Falar ao infinito, não deixa de ser uma alternativa. Não podemos é achar que existe qualquer coisa capaz de tudo preencher. Só sabemos deprimir quando a festa, a viagem ou amor acaba.Talvez, pudéssemos aprender a contemplar, a amar e a respeitar um pouco mais o silêncio. Talvez, assim, aprendêssemos a ser um pouco menos arrogantes, mais humildes e mais felizes. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

NÃO SEJA UMA PESSOA COMPLETAMENTE ALIENADA …

É fato que não sabemos de onde viemos e nem para onde vamos. Quanto a isso, não sei se teremos resposta um dia. Portanto, sobre isso, não sei se adianta pensar muito. Quanto ao amor do outro, também, não sei se adianta ficar pensando em demasia. É certo que ele pode nos dar alguns indícios de que não está mais afim. Contudo, quantos não ficaram à deriva depois de calorosas declarações amorosas? Podemos mudar de opinião. Podemos conhecer amores ainda mais amáveis. Enfim, o comportamento sentimental dos humanos é mesmo imprevisível. Na perspectiva do sentido da vida e do amor, o pensamento não serve mesmo para muita coisa. Qual a serventia do pensar? É certo que se pensarmos demais, também não viveremos. Ocorre que o pensamento possui – sim – alguma utilidade naquilo que ingerimos e na nossa relação com o espaço. Posso colocar minha vida em risco, dependendo da qualidade e da quantidade daquilo que consumo. Posso não sobreviver se eu perder a noção de altura e de velocidade. Desse modo, alguma informação, nessa perspectiva, é vida. Não posso ficar alienado – também – quanto à política. As relações de poder determinam leis que podem interferir na qualidade do que vou comer, beber, se vou dormir ou se vou viajar de férias. Portanto, não podemos cessar de pensar em tudo na vida. Não podemos reduzir nossas vidas à vídeos e figurinhas imbecis das redes sociais. A alienação só tem mesmo alguma valia para aquilo que não tem resposta. O próprio silêncio não deixa de ser uma defesa para as angústias da falta de sentido na vida. Contudo, mesmo não sabendo de onde viemos e nem para onde vamos, temos nosso cotidiano e precisamos comer, vestir, movimentar e passear. Nesse sentido, não podemos prescindir de pensar. Ao menos para mim, é muito bom estar vivo e consciente. É muito bom poder viajar, ir ao cinema, ao teatro, ouvir uma boa música, encontrar os amigos e ler um bom livro. Ocorre, que nada disso cai do céu. Precisamos garantir as condições para obtermos tudo isso com alguma qualidade e frequência que nos satisfaçam. Para tanto, precisamos pensar. Já não possuímos o sentido maior de viver – sequer sabemos quem nos colocou aqui e os seus motivos. Agora, quanto à qualidade do que se passa em nosso dia a dia, sabemos muito bem quem a determina. Portanto, é muito arriscado alienar-se disso. É fato de que não podemos fazer muita coisa quanto à certeza de que vamos – por exemplo – morrer um dia. Contudo, até isso acontecer, podemos gozar muito da vida. Quanto a esse gozo, sim, precisamos pensar e lutar por ele. Esse é um gozo político. Ele pode ser-nos retirado. Ele pode, sim, ser melhor repartido. Não posso impedir, à não sei quem, de gozar com a minha morte. Contudo, posso impedir muita gente de gozar com a minha vida. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

FALE MENOS, POR FAVOR!

Ainda não consigo conter minhas angústias com o meu silêncio. Sempre necessito de buscar o barulho mais próximo. Que seja uma música, um diálogo, a presença de alguém ou mesmo a minha própria voz ou um gesto meu qualquer. Nós, ocidentais, temos pânico do silêncio. Por isso, talvez, somos tão exagerados, escandalosos e compulsivos. Não tenho dúvida de que o silêncio é a verdade mais aproximada dos nossos dramas. Ele não pensa, não fala e não tem sentido. O barulho não preenche. O gesto não termina nunca, porque o espaço é infinito. Não existe a palavra da palavra. Não existe um conceito que seja definitivo. Talvez, por isso mesmo, queremos colocar palavras na boca dos autistas. Ao passo, que deveríamos aprender com seus silêncios. Não deveríamos entrar em pânico quando tudo falta. Se tudo falta, é porque tudo não existe. Se tudo não existe, é porque o nada é maior que tudo. Falar ao infinito, não deixa de ser uma alternativa. Não podemos é achar que existe qualquer coisa capaz de tudo preencher. Só sabemos deprimir quando a festa, a viagem ou amor acaba.Talvez, pudéssemos aprender a contemplar, a amar e a respeitar um pouco mais o silêncio. Talvez, assim, aprendêssemos a ser um pouco menos arrogantes, mais humildes e mais felizes. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

FANÁTICOS, NÃO PASSARÃO!

É sempre catastrófico quando as pessoas tomam as palavras como sendo coisas. Penso que isso só é válido em casos bem específicos. Por exemplo, quando alguns psicóticos estão certos de que são Jesus Cristo. Nesses casos, temos que alimentar seus delírios – uma vez que estes os protegem de passarem ao ato. Fora isto, ninguém deveria tomar as palavras como sendo coisas. Não deveríamos tomar as palavras como se estivessem caído do céu. Não deveríamos tomar as palavras como sendo hereditárias. Se tomássemos as palavras como sendo nossas, ou seja, como signos, os quais nomeamos certos sentimentos nossos, veríamos que somos muito mais que o sentido que essas palavras nos dão. A mulher é muito mais que a palavra mulher. Impossível reduzir o homem a uma ideia do que seja o homem. Gosto muito das pessoas que abandonam as palavras e se permitem sentir, até para inventarem outras palavras para os seus sentimentos. O mundo seria uma chatice se as palavras não pudessem ser questionadas em seus sentidos. Talvez, por isso, que as pessoas mais conservadoras não suportam as mais questionadoras. Creio que o que não suportam, é o fato de que essas pessoas mais ousadas, estão, no fundo, é se permitindo sentir para além do que as palavras da tradição determinaram como tal. Novas palavras abrem novos mundos. Novas palavras abrem novas emoções. Nosso mundo está atrevendo-se a questionar a gramática estabelecida – inclusive criando siglas para pensar outro sexo para além do masculino e do feminino. Em breve teremos infinitas possibilidades para além de somente ele e ela. No fundo, não são apenas novas palavras ou siglas, são novos modos de sentir. Que venham muitos, se for para o bem – porque amar não arranca pedaço de ninguém.
Evaristo Magalhães – Psicanalista