POR QUE ATÉ OS INTELECTUAIS SUICIDAM?

Freud tratou do inconsciente. Por inconsciente, podemos compreender, o que não sabemos. Sabemos do que foi e do que está sendo. Não sabemos do que será?

O que será – quase sempre – nunca será como o que foi ou como o que está sendo.

O depois esgota tudo da memória. Por não conseguir nomeá-lo, Freud o chamava de coisa ou de isso.

Em se tratando de inconsciente, tudo o que aprendemos só tem valor de uso – prático ou estético – no exato momento em que aprendemos.

O inconsciente zera toda religião, toda ciência e toda filosofia. O inconsciente zera todo mestrado e todo doutorado. O inconsciente é ateu.

O inconsciente nos iguala enquanto raça, gênero e classe social.

O inconsciente é da ordem de um saber-fazer cem por cento original. É de um saber-fazer que começa e termina no ato que lhe diz respeito. É de um saber-fazer sem constância ou regularidade. É de um saber-fazer que não se acumula.

Impossível prever a próxima reação de quem quer que seja. Ninguém está a salvo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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O AMOR É A NOSSA ÚNICA SALVAÇÃO …

É o amor que nos faz tentar conduzir da melhor maneira possível as adversidades da vida.

Não sabemos o que nos espera. Nenhuma medicina consegue prever tudo de nossos corpos. O universo é infinito. É impossível saber o que outro está pensando ou sentindo a nosso respeito. Ninguém consegue ser constante e regular em suas emoções.

Sabemos sobre o que já vivemos e sobre o que estamos vivendo. Pode não existir medicina para os males que viermos a ter. A natureza pode nos surpreender. A forma como agimos hoje pode de nada servir para a forma como agiremos amanhã. Ou seja, tudo pode acontecer daqui a pouco.

O que então não nos faz entrar em pânico? O que então não nos faz ficar agressivos? O que então não nos faz enlouquecer? O amor.

Não é a religião, nem a ciência, nem a filosofia e nem a psicologia que nos sustentam. Nem um saber de agora vale para depois. É por temer perder quem amamos que tentamos agir bem. O amor é a nossa salvação.

Nesse sentido, quanto mais individualista ficar a sociedade, pior os indivíduos conduzirão as situações adversas.

É por amor ao próximo que respiramos fundo. É por amor ao próximo que contamos até dez. É por amor ao próximo que paramos e pensamos para realizar.

Enquanto tivermos alguma consideração por alguém, agiremos o melhor possível para nos preservarmos de perder quem muito consideramos. Na medida em que perdermos o outro do nosso campo de visão, não fará o menor sentido prosseguir enquanto pessoa e enquanto mundo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

POR QUE TANTA VIOLÊNCIA?

Somos imaginação, palavra e invenção. Podemos com os recursos que adquirimos e podemos inventar novos recursos.

É porque podemos sair pela arte que não ficamos violentos.

No entanto, podemos vivenciar situações que mesmo tentando, não conseguiremos nada inventar.

Por exemplo, não consigo pensar, imaginar ou criar qualquer coisa sobre o que pode vir a me acontecer daqui a um minuto. Não consigo antevê nada. Tudo o que eu racionalizar, fantasiar ou inventar pode não suprir o que pode vir à me acontecer.

É por isso que fico violento. Fico violento comigo quando me angustio, quando fico inquieto ou quando passo essa angústia e essa inquietude para o meu corpo na forma de doença. Fico violento porque não sei. Fico violento para esquecer que não sei ou fico violento para me punir por não saber.

A violência começa onde termina a razão, a imaginação e a criação.

Não existiria violência se fôssemos infinitos em nossa capacidade de criar sobre as adversidades da vida. Não somos. Nem mesmo a arte nos salva: nada nos salva.

Portanto, somos – também – o mal. Somos – também – violentos. Por que? Porque não sabemos tudo. Porque não conseguimos controlar, mapear ou configurar tudo de nós. Não conseguimos nos desgrudar dos enigmas que somos. O que cada um fará com isso? Impossível saber.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

COMO BOLSONARO ENGANOU OS MISERÁVEIS?

Bolsonaro foi eleito prometendo acabar com a corrupção e com os bandidos. Quem não gostaria de viver em um país honesto e sem violência? Acontece que governar um país não se resume só em combater a roubalheira e a bandidagem. Os políticos, em geral, usam de plataformas universais para esconder seus interesses particulares. Não é fácil enxergar esses interesses particulares. Bolsonaro teve o apoio dos banqueiros. O que querem os bancos? Lucro, aumento de juros e que o dinheiro da saúde e da educação seja vertido para o pagamento da dívida pública. Isso é bom para os pobres? Creio que não. Bolsonaro teve o apoio dos latifundiários. O que querem os donos das terras? A ampliação de suas áreas, a liberação de agrotóxicos e o combate à reforma agrária. Só com uma melhor distribuição de terras poderíamos diminuir os bolsões de miséria e a violência nas cidades. Bolsonaro teve o apoio dos neopentecostais. Para a grande maioria desses falsos pastores, contentar em sofrer aqui na terra é garantia da vida eterna. No entanto, nenhum deles explica como os ricos – que não sofrem – vão conquistar a eternidade. Portanto, a política não é entender só o que um candidato diz. É preciso ver com quais grupos ele está comprometido. O candidato é só uma peça de um sistema bem mais amplo. O que determina a política é mais que uma pessoa: é o entorno dessa pessoa. Evaristo Magalhães – Psicanalista