PAZ

quero

viver

como

um

bebê

que

dorme

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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NO BRASIL DE HOJE, QUE DEUS NOS ACUDA!

Penso que nesse momento, no Brasil, a ideia é mais ou menos a seguinte: cortamos as políticas públicas, com a justificativa de que toda e qualquer forma de protecionismo gera acomodação. Para a expansão da economia, é fundamental retirar direitos, com a justificativa de que, nesse caso, menos é sempre mais. É óbvio que até a tal suposta estabilização, a violência será uma via de subsistência para os ditos vagabundos. Quanto a isso, a polícia fará todo o trabalho de repressão e de manutenção da ordem. Ocorre, que não há polícia para vigiar todo mundo. Os muito ricos, pouco são atingidos, uma vez que estão protegidos em seus feudos a lá condomínios fechados, seguranças privados e carros blindados. Quem está cá embaixo, se vira como pode. Portanto, espera-se uma reação empreendedora pelo nada. Isto não ocorrendo, os muito ricos lavam as mãos em caso de extermínio pela polícia ou entre os próprios miseráveis – com a ressalva de que a culpa da pobreza é sempre do pobre mesmo. Ocorre que não existe estabilização no capitalismo – especialmente nesse nosso capitalismo de contrastes sociais tão grotescos. Não valorizamos o governo que tivemos e suas políticas públicas – reconhecidas internacionalmente. Voltamos à estaca zero. Agora, que deus nos acuda …

Evaristo Magalhães – Psicanalista

AMOR NÃO É SÓ O QUE ACONTECE NA CAMA …

Tendemos a escolher quem queremos pela imagem. Interessamos, primeiro, verificando o contorno do corpo, o peso, a altura, a cor dos olhos, os seios, o cabelo, a bunda e o desenho do rosto. Ocorre que amor não é só o físico. Por mais que achamos o contrário, há o que não vemos. Há o subentendido ou o latente. E nesse quesito, não há beleza física que resista. Você – homem – todo feliz levando a mulher mais gostosa da festa para o motel. Ou você – mulher – levando o cara mais maravilhoso da festa para o seu apartamento. Chegando lá, você tem que torcer para nada te constranger – porque uma vez constrangido, é como refrão de música sertaneja, quando gruda não sai mais. E não se trata de ser chato, estressado, exigente ou brocha. É algo que foge ao nosso controle. Não temos alternativa quando deparamos com aquela unha encravada e aquele joelho todo destratado. E quando olhamos meio atravessado para aquela bunda e para aquela barriga – que ficaram disfarçadas o tempo todo – e desabrocharam de repente? E o cheiro? Pior é quando você espera independência e a pessoa responde com submissão ou quando você espera entrega e a pessoa responde fazendo de difícil. Pior é quando você fica torcendo – em silêncio – para a pessoa não fazer e não falar certas coisas. Pior é quando você fica louco para a pessoa gozar rápido e a coisa não vai de jeito nenhum. O que era para ser uma bela noite de amor, vira um pesadelo. Não basta ser só bonitinho. Quem dera! O amor não é só o que é visto. Pode acontecer de não ir para frente por coisas que sequer sabemos verbalizar. Você pensa na pessoa e vem uma sensação ruim – como quando não simpatizamos com alguém e não sabemos explicar. Não aconteceu nada de muito grave, mas você só sabe que não quer ver aquela pessoa nunca mais na sua vida. O pior que tem gente que é assim com todo mundo: ninguém gosta. Não sei se encontraremos – algum dia – um amor livre de qualquer mal-estar. Não sei se existe alguma relação sem seus pequenos fantasminhas que vão e voltam do nada. Há quem não tolere. Há quem tolere. Penso que hoje – pelo excesso de vaidade – ninguém está muito disposto a tolerar. Os mais carentes – talvez sim – por problemas com a estima. Todos imaginamos a pessoa dos nossos sonhos. Se encontraremos, eis a questão. Enquanto isso vamos experimentando e sendo experimentados. Uma hora, vai que acontece. Enquanto não rola, ao menos gozamos – até que algo esquisito apareça. Ou vamos tentando, dando sinais e torcendo para o outro desconfiar – de alguma maneira – do quanto ele é – desnecessariamente – enjoadinho.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

PRECISAMOS DIMINUIR OS PESOS QUE CARREGAMOS

Não existe nenhum explicação científica que relacione nossas preocupações, angústias e ansiedades com nossas tensões físicas. Freud descobriu essa relação, porque quando tratava as questões de seus pacientes, logo ocorria uma melhora de suas dores físicas. O problema era que suas histéricas sempre retornavam com novas queixas. Daí, ele deduziu de uma impossível eliminação dos nossos traumas psíquicos – porque – no fundo – todos estavam interligados ao núcleo incurável da nossa angústia de morte. Desse modo, nosso corpo dói, como uma forma de suportar o que – do contrário – nos enlouqueceria. Existe uma maneira de nos livrarmos dessa nossa angústia de morte? Sim. Lacan encontrou esse caminho no Oriente pela meditação. Se preocupar faz doer, a saída, então, é não se preocupar. A saída é não pensar nisso. A saída é esvaziar a mente disso. Como? Meditando. Ao meditarmos, temos a oportunidade de focarmos nossa consciência em conteúdos livres de qualquer preocupação mórbida, angustiante ou ansiosa. Elevamos nossa mente para outros pontos que, aos poucos, vão tornando nosso físico leve e livre de toda e qualquer sensação que possa alterar seu funcionamento natural. Os orientais acreditam que é possível manter essa paz consigo, mesmo depois de terminado todo o ritual meditativo – coisa só para elevados.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

NÃO SEJA UMA PESSOA FRUSTRADA COM TUDO …

Inventaram a ideia disso mais bonito que aquilo. Criaram a ideia do feliz e do triste. Criamos um bonito desinfectado do feio. Inventamos uma felicidade asséptica da tristeza. O feio virou um lixo a ser descartado. O triste virou um dejeto a ser eliminado. Estamos todos – compulsivos – atrás dIsso que não sabemos ao certo onde encontrar. Estamos – todos – desesperados para provar – sem conseguir – que somos os mais bonitos e os mais felizes. Enquanto isso, tratamos como feio tudo o que poderia amenizar essa nossa ansiedade louca por essa felicidade que nunca vem. Nossa felicidade está o tempo todo em algum lugar diferente do agora. Queremos forçar o mundo a funcionar de acordo com o que pensamos. Queremos fazer com que venha de qualquer jeito. Não desistimos de modo algum. Se não vem por aqui, tentamos por ali e por cá. Estamos o tempo todo achando que agora vem. Enquanto isso o tempo está passando. Tenho um amigo que começa pelo zap e quando chega no Instagram já está na hora de voltar para o zap de novo. Parece que ele acredita que a sua felicidade brotará – como que por um milagre – de seus aplicativos e de suas redes sociais. Enquanto isso a vida real está passando com seus cheiros, cores, sons e gostos. De olho vidrado no celular, ele perde as pessoas reais com seus movimentos, toques, olhares, contornos e dizeres. Quem disse que a felicidade é o quadro da Monalisa? Quem disse que a felicidade não pode ser a superfície rugosa do muro que contorna o prédio do meu vizinho? O que é o belo? O que é o alegre? Quem disse que o feio não pode ser bonito? Quem disse que o triste não pode ser feliz? Estamos destruindo o planeta em busca de uma felicidade que nunca existirá. Estamos perdendo o tempo de viver imaginando a imaginação da imaginação. Estamos nos perdendo do nosso entorno real. Estamos rodeados de formas, barulhos, gostos, sabores e sensações. Minha felicidade é a que tenho agora. Não devo desfazer de mim por outro de mim que nunca poderá vir a ser. Posso e devo buscar outra felicidade, mas não devo lutar infeliz. Não devo combater triste. Não seria melhor mais beleza para o que já é belo e mais felicidade para o que já é feliz?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

PRECISAMOS DIMINUIR OS PESOS QUE CARREGAMOS

Não existe nenhum explicação científica que relacione nossas preocupações, angústias e ansiedades com nossas tensões físicas. Freud descobriu essa relação, porque quando tratava as questões de seus pacientes, logo ocorria uma melhora de suas dores físicas. O problema era que suas histéricas sempre retornavam com novas queixas. Daí, ele deduziu de uma impossível eliminação dos nossos traumas psíquicos – porque – no fundo – todos estavam interligados ao núcleo incurável da nossa angústia de morte. Desse modo, nosso corpo dói, como uma forma de suportar o que – do contrário – nos enlouqueceria. Existe uma maneira de nos livrarmos dessa nossa angústia de morte? Sim. Lacan encontrou esse caminho no Oriente pela meditação. Se preocupar faz doer, a saída, então, é não se preocupar. A saída é não pensar nisso. A saída é esvaziar a mente disso. Como? Meditando. Ao meditarmos, temos a oportunidade de focarmos nossa consciência em conteúdos livres de qualquer preocupação mórbida, angustiante ou ansiosa. Elevamos nossa mente para outros pontos que, aos poucos, vão tornando nosso físico leve e livre de toda e qualquer sensação que possa alterar seu funcionamento natural. Os orientais acreditam que é possível manter essa paz consigo, mesmo depois de terminado todo o ritual meditativo – coisa só para elevados.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

VOCÊ VIVE SOB OU SOBRE A MORTE?

Temos duas opções de viver: sob a morte ou sobre a morte. Os orientais vivem sob a morte. Nós, ocidentais, vivemos sobre a morte. Quem vive sob a morte tem a oportunidade de usufruir de tudo de bom que a vida concede – até a hora final. Quem vive sob a morte, está mais interessado em viver o presente, deixando o depois para depois mesmo. Quem vive sobre a morte é arrogante ou depressivo. Quem vive sobre a morte, não vive – porque está preocupado em viver uma vida que nunca é. Ao menos desconhecemos alguém que tenha voltado para dizer que ela é. Quem vive sob a morte, pode priorizar viver, de tal maneira que pode – até mesmo – esquecer do fato de ser perecível. Quem vive sobre a morte, está tão preocupado em não morrer que até esquece de viver. Muitas de nossas religiões sobrevivem do medo que temos de morrer – ou de viver. Muito da nossa medicina acha que poderá descobrir – um dia – a fonte da nossa eterna juventude. Todo o tempo que estamos perdendo em não morrer, poderia está sendo aproveitado para viver. Sonho um dia encontrar uma religião que fale menos da morte e mais da vida. Sonho um dia encontrar encontrar uma medicina que fale menos das nossas impossibilidades e mais das nossas possibilidades – apesar de todas as nossas perdas. O que fui não serei mais. Do que serei, jamais saberei. Tenho o que sou e todo o meu entorno que afeto e que me afeta. Enquanto eu puder, quero tentar ser o melhor de bons afetos para com tudo e com todos.

Evaristo Magalhães – Psicanalista