GOZAMOS OU ENLOUQUECEMOS …

Precisamos valorizar mais o que se passa em nossos corpos. O corpo não deveria ser objeto de descarga das frustrações. Muito pelo contrário, deveríamos preservar nossos corpos como contraponto de tudo de ruim a que somos expostos.

Só podemos coletivamente contra as mazelas do mundo. Mas, podemos prescindir do mundo para as nossas intimidades.

Desse modo, não deveríamos desabar nossa sexualidade enquanto o mundo está desabando lá fora.

Não sabemos de onde viemos e nem para onde vamos. Sabemos que envelheceremos e morreremos. Impossível não se sentir afetado pelas mazelas sociais. No entanto, contra tudo isso nos foi dado um corpo para gozar enquanto podemos e do que podemos.

Já estamos certos da finitude. As notícias que nos chegam do mundo nunca são as melhores. Imagina se, com tudo isso, não pudermos usufruir do que podemos de nossos corpos?

Para o primeiro mundo, é possível gozar sendo atravessado apenas pelos dramas existenciais. Aqui, no terceiro mundo, o desafio de gozar é ainda maior. Ou seja, temos que dar conta de gozar resguardando nossos corpos de seus enigmais constitutivos e, ainda resguardá-lo da violência, da fome e da miséria.

No entanto, não podemos prescindir de gozar. Contra tudo e contra todos ainda temos nossos corpos como fonte de algum amor próprio!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

Instagram: @evaristo_psicanalista

Twitter: @evaristopsi

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