POR QUE TENHO COMPULSÃO PELAS ARTES?

Sempre nos definimos pelo que temos de melhor. Ninguém quer se mostrar feio, limitado intelectualmente ou desprovido de alguma riqueza material.

No entanto, nenhuma beleza é completa, ninguém possui a verdade e tudo que somos um dia perecerá. Portanto, somos, também, o pior.

Deprimimos porque não nos admitimos finitos.

Mas, não seria bizarro demais alguém se definir por suas feiúras? Sim. E não seria ilusório – também – alguém se definir apenas por suas belezas? Sim.

É por isso que precisamos encontrar um modo de trazer o que não somos para o que somos. Caso contrário, corremos o risco de passar a vida inteira lutando contra o que é inegável em nós mesmos.

Como podemos fazer isso? Como podemos contrabalancear o que temos de melhor com o que temos de pior? Pelas artes.

Gosto dos artistas porque dão conta de integrar – na forma de verso, imagem, teatro, pintura, movimento e melodia – alguma beleza ao que tanto tememos.

Nas artes, o pior não é negado – como nas ciências e nas religiões. Muito pelo contrário, toda a beleza das cores, dos gestos e dos sons estão integrados ao que nos é mais desesperador. É por isso que, pelas artes, posso me ver sem entrar em pânico comigo.

Só os artistas têm o incrível poder de mostrar a verdade sem que ninguém precise de se entupir de antidepressivos para suportá-la.

Viva a arte! Viva os artistas!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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