VOCÊ SE ACHA O MÁXIMO?

Ninguém quer o mínimo. Todos querem o máximo? Por que ninguém quer o mínimo? Porque a verdade é o mínimo. A verdade é o nada. E ninguém quer saber da verdade.

É por isso que nos entupimos de coisas, medicamentos, pessoas, ideologias e doutrinas.

Não deveríamos ir do mínimo ao máximo. A felicidade é dar conta de ir do mínimo ao nada.

Acumulamos e nunca estamos satisfeitos porque toda festa acaba e toda palavra termina em silêncio. O nada não desgruda. Por mais que tenhamos, sempre nos achamos insuficientes.

Por mais que fujamos do nada, o nada nunca foge de nós.

Se aceitássemos que nada somos, seríamos bem mais felizes em nossas conquistas porque não as tomaríamos como o máximo – que não são.

A verdade não é o que conquistamos. Tudo ficará para trás ou se perderá no tempo. Só o vazio é eterno.

É porque não suportamos a verdade do nada que inventamos a concretude geográfica do céu.

Ninguém suporta não ter nada. Daí, inventamos as depressões, as loucuras e as somatizações porque precisamos de algo para colocar no lugar desse nosso nada que não suportamos.

Incutiram em nós que a felicidade é o ter. Ter o que? Qual é o limite? Não há o limite porque o nada que somos é impreenchível.

Deveríamos buscar não para suprimir. Deveríamos buscar apenas pelo prazer de usufruir. No entanto, queremos a certeza da completude. Ninguém a tem. Ou seja, nosso problema é que não aceitamos que pode nunca ser o que esperamos.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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