POR QUE ADORO AS PUTAS?

As putas são diversas, plurais e explosivas em suas sexualidades.

As putas são como as crianças – no sentido de que são livres em seus imaginários.

É por isso que as putas tanto nos incomodam. Somos da filosofia do UM. Somos da ciência da constância e da regularidade. Somos da religião monoteísta. Somos do não-contraditório. Somos menos vida e mais razão.

As putas são quase cem por cento vida porque não julgam e nem hierarquizam as oposições de suas sexualidades.

São como a natureza, entregues aos fluxos, aos cheiros, cores, sabores e tatos. São abertas, espontâneas e dispostas à experiência.

As putas são o nosso recalcado.

As putas são a prova de que se pode viver tudo – e sem enlouquecer.

Gostamos das putas porque podemos nos satisfazer fantasiando suas orgias ou negando quem somos discriminando-as.

Nesse sentido, mesmo com toda a assepsia da filosofia, da religião e da ciência, ninguém consegue calar a puta que habita o íntimo de si.

Nossas putas quando não saem às escondidas, saem em nossos destemperos psicológicos, em nossas somatizações, manias e vícios.

Essa insistência em separar o público do privado, não deixa de ser uma forma de esconder a puta que carregamos em nós.

Nenhuma puta morre de sexo. Geralmente, assassinamos as putas tentando assassinar as putas que – de fato – somos.

Ser puta é ser sinônimo de liberdade, prazer, invenção, experimentação, gozo e amor pela vida.

Quem nunca virou uma puta na cama?!

Viva o diverso! Viva a vida como ela é! Viva as putas!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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