O QUE É O INCONSCIENTE?

O inconsciente é que retorna desarticulando. É o sonho gay do homem hétero. É o pânico de morrer chamando para usufruir mais da vida. É o espelho dizendo não resolver se entupir de maquiagem. É a angústia dizendo ser preciso inventar algo.

Podemos reagir frente ao nosso inconsciente criando ou adoecendo sobre ele.

Nesse sentido, o inconsciente é – também – o homem hétero que se torna homofóbico depois de seu sonho gay. É o suicida que se adianta à sua própria finitude. É o compulsivo por cirurgias plásticas. É o depressivo fechado em um quanto escuro.

O inconsciente é o fato de que não abarcamos tudo. Ele é o depois que pode não ser o que esperávamos. Ele é a prova cabal de que não somos absolutos.

Ele transborda à toda inteligência. Ele é mais que qualquer conta bancária. Nenhuma beleza o suplanta. Nenhum poder o contém.

Ele é incontrolável. É inevitável. Ele vai aparecer – quer queiramos ou não.

Ele é o diagnóstico que nos impacta. É a péssima notícia. É o mal-estar que não esperávamos.

O inconsciente são as palavras que temos pavor. São as palavras que ainda não foram inventadas. É o que pode nos pegar com as calças nas mãos.

Ele é quando não estamos entendo. É o que não sabemos. É o vazio e o nada.

Ele só será um inimigo se não soubermos o que fazer com ele. Não deveríamos fazer com desespero, depressões, melancolias, agressões, dores e paralisias.

O inconsciente é o vácuo. Temos que inventar sobre ele ou simplesmente carregá-lo – e sem saber de que se trata.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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