POR QUE TENHO PREGUIÇA DESSA HISTÓRIA DE EMPATIA …

A empatia só faz sentido para questões de natureza material.

É evidente que para nos sensibilizarmos com o problema da fome ou em casos de estado terminal, é fundamental que nos coloquemos no lugar dessas pessoas.

No entanto, nunca se coloque no lugar de uma pessoa que não sabe de si.

Ao nos colocarmos no lugar da existência de alguém, estamos exercendo a nossa arrogância em achar que sabemos sobre o sentido da vida.

Existir é algo cem por cento singular.

É por isso que os psicanalistas nunca se colocam no lugar de seus pacientes. Fazer psicanálise é experimentar a solidão na sua forma mais radical.

Aquele que não sabe si deve ter tido durante toda a sua vida alguém que ocupou o lugar desse saber que deveria ser seu.

Para sermos nós mesmos, precisamos fazer cair esses tantos Outros que sempre nos sufocaram da possibilidade de saber quem somos por nós mesmos.

Nesse sentido, a religião, a filosofia e a ciência nunca fizeram muito bem para a humanidade.

Não é empatia estar no lugar do outro para dizer quem ele deve ser. Muito pelo contrário, é pretenção, sufocamento e dominação.

Se não tenho o que comer, preciso que alguém me ajude. Se estou adoentado, preciso de alguém para cuidar de mim.

No entanto, se não sei quem sou, ninguém pode fazer qualquer coisa por mim – mesmo porque não existe ninguém que saiba tudo de si.

Diante da individualidade do outro, quanto mais indiferença, melhor!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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