NÃO É AMOR AMAR …

 

Dizem que quem ama cuida. Desse modo, se cuidamos é porque o outro não é completo. Daí, queremos ser a completude do outro. Isso não é amor e, sim, dominação.

Não amamos o outro quando queremos ser o que achamos que falta nele. Amamos o outro quando o compreendemos como um ser faltoso e o respeitamos no modo como ele quiser decidir o que fazer com a sua falta.

Amar não é ser pelo outro. Amar é deixá-lo ser. Não é apenas deixá-lo ser no que ele já é. É deixá-lo ser no que ele não é. Amar é permitir ao outro viver suas dores, suas contradições e seus defeitos como ele quiser. Só assim não estaremos impedindo que ela se descubra por si.

Só amamos quando permitimos cair a nossa arrogância de ser tudo para alguém.

Como amar uma pessoa sem poder fazer nada por ela? Como amar alguém sem poder dar pitaco em sua vida?

Deveríamos amar o outro apenas no modo como ele se ama.

Não posso amar querendo ser o amor que o outro não tem por si. É seguro que ele não suportará esse sufocamento de não poder resolver por si o que é seu.

Amar é acompanhar sem interferir. Amar é tomar distância para admirar o outro em seu modo próprio de viver – e com todas as suas limitações e possibilidades.

Amar é compreender. Não é amar invadir. Não é amar decidir por ninguém.

Amar é aceitar quem amamos não apenas em suas completudes, mas em suas faltas. Só assim o estaremos respeitando em seu direito de ser – inclusive de poder ser sem o nosso amor.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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