O QUE É O CIÚME

Sentimos ciúme porque queremos alguém só para nós: alguém que entendemos como sendo o nosso completo.

Sentimos ciúme porque não suportamos a parte do amor que é adversa como tudo o mais da vida: queremos um amor que seja constante e regular. Queremos um amor congelado, calculado e seguro.

Na verdade, não queremos amar alguém. Queremos que alguém nos ame porque entendemos que só este amor pode nos livrar do que não suportamos em nós mesmos.

Sentimos ciúme porque reduzimos a vida ao UM. Não nos aguentamos na ausência: a falta nos devasta, imobiliza e desespera.

Sentimos ciúme não porque valorizamos ou amamos o outro. Sentimos ciúme só para nos amar.

Nosso ciúme não é porque estamos preocupados se o outro necessita – também – de algum amor. Sentimos ciúme porque queremos que o amor do outro supra o amor que não temos por nós mesmos.

Pensamos o tempo todo no outro porque enlouqueceríamos se tivéssemos que pensar em nós mesmos.

O ciúme é uma tentativa ensandecida de encontrar alguma estabilidade na vida. O ciúme é o mesmo que tentar negar a existência do espaço e do tempo – condições que não controlamos.

O ciúme é a negação da despedida, de outros lugares e do amanhã.

O ciúme é a vontade louca de recriar – aqui fora e a qualquer custo – uma espécie de útero materno com alguém.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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