ACHO A MAIOR BOBAGEM ESSA HISTÓRIA DE PERGUNTAR QUEM SOU EU …

Quem somos só dura o tempo presente. Saber quem somos – agora – não vale para quem seremos daqui a pouco.

O tempo não é igual, mundo não é regular, a natureza não é constante e as pessoas mudam.

Saber quem somos não tem nada a ver com autoconhecimento. De nada resolve eu achar que sei quem sou. Posso me deparar com situações que não se encaixam em nada do que penso de mim. Posso vivenciar perdas que nunca vivenciei – e que me colocam diante de emoções que eu jamais havia imaginado viver.

Saber de si não é se conhecer – no sentido introspectivo dessa expressão. Saber de si é estar disposto ao imprevisível e ao contingente.

Saber de si não é fazer regressão. Saber de si é saber enodar a confluência de ideias e sentimentos contraditórios que compõem a nossa existência.

O inconsciente não é uma parte nossa composta de ideias e desejos recalcados. O inconsciente é o inesperado da vida. É o que teremos que inventar quando tudo o que somos deixar de funcionar.

O inconsciente é a capacidade de trançar situações diante do que tínhamos e que não serve mais.

O inconsciente independe de qualquer bagagem e de experiência de vida.

O inconsciente é invenção. É fazer arte da vida. Isto não tem nada a ver com idade – mesmo o bebê cria algo de si quando falta alguém que faça por ele.

Não entendo porque tem tanta gente blefando em reinventar a própria vida!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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