O QUE É SABER DE SI?

Ninguém é profundo. Somos todos superficiais.

Somos guiados por pensamentos e palavras. As palavras não são as coisas.

Não é pelo pensamento que saberemos quem somos. Essa conversa de introspecção é o maior engodo. De nada adianta eu falar de mim. De nada adianta eu pensar sobre mim.

Não sou quando penso. Sou quando ajo. Sou quando toco. Sou meu olfato, minha visão e meu paladar.

Meu pensar deveria me guiar apenas quando coloco minha vida em risco.

Não posso – por exemplo – comer e beber além da conta. No entanto, não devo contaminar o que posso com o que penso.

Meu eu mais profundo não é este que pensa. Sou – de verdade – apenas quando sinto – porque sentir é único.

Não devo me buscar aprofundando em meus pensamentos. Devo me buscar aprofundando naquilo que me faz delirar de tesão.

Sou quando me permito sentir tudo do meu paladar. Sou quando não censuro minha pele de arrepiar de desejo. Sou quando permito que os sons que gosto invadam todo o meu aparelho auditivo. Sou quando não paro de ver porque ver não arranca pedaço de nada e nem de ninguém. Sou quando não me dou tempo no que gosto. Sou quando me permito viver tudo o que me faz subir pelas paredes de tanto prazer.

Não é o pensamento que deveria dominar o corpo. Cabe ao pensar não permitir que o corpo se faça mal. Portanto, só deveríamos trazer a mente nos casos em que corremos o risco de nos perdermos em nosso gozo de viver. Fora isto, viver tudo o que se pode é só o que mais importa.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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