Ninguém é feliz no capitalismo …

 

A comida de amanhã não deveria ser uma preocupação. Só seremos felizes no dia em que deixarmos de ser assombrados pelo risco de não morrermos de fome.

Nessa perspectiva, podemos afirmar que não existe felicidade no capitalismo.

Seria a solução, se pudéssemos contar com o outro caso perdêssemos os meios garantidores da nossa existência biológica. No capitalismo, não podemos: é cada um por si.

Portanto, nenhuma felicidade é possível quando se está atordoado pelo pânico do desemprego e pelo medo de perder o que se levou uma vida inteira para conquistar.

No capitalismo, a felicidade só se dá em pequenos intervalos – mesmo entre os muito ricos.

No capitalismo, no entanto, é só de vez em quando que paramos para comemorar. Mesmo assim, dificilmente não levamos esta parte – sempre insegura – para nossos poucos momentos de alegria.

Quanto a isto, basta observarmos os olhares de frustração, medo e melancolia dos bêbados dos bares das cidades.

No capitalismo, toda alegria carrega alguma dor. Todo sexo parece mais uma prova de que se está gozando e sendo violentado ao mesmo tempo.

Não sei se existe amor no capitalismo. Não sei se é possível gozar no capitalismo. Também, não sei se é possível gozar em uma sociedade em que a sobrevivência esteja garantida, mas a liberdade de criar sobre o próprio gozo é uma liberdade condicionada.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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