AMAR É DIFERENTE DE SENTIR AMOR …

 

Discordo, radicalmente, daqueles que dizem que não existe mais amor no mundo. Não gosto desse moralismo de amor líquido. Amor não se mede, não se pesa e não se define.

É óbvio que não podemos dizer que ama, alguém que só gosta de ficar, pegar, sarrar e transar. No entanto, não podemos dizer que essa pessoa não sente amor. Sentir amor é muito diferentes de amar.

Há quem passe a vida toda amando e há quem passe a vida toda sentindo amor. Há quem comece sentindo amor e termine amando. Há quem comece amando e termine sentido amor.

Não vejo a menor possibilidade de qualquer pessoa dar conta de fazer sexo sem nenhum sentimento – ainda que seja profissional do sexo.

Não é sexo quando é sem emoção. Temos que inventar um outro nome para isso: instinto, impulso, necessidade. Isto é possível ao ser humano? Não creio.

Penso que uma pessoa em uma festa pode beijar quantos ela quiser. Duvido que ela tenha feito isto sem nenhum critério de escolha.

O critério – no humano que fala – é sempre algum amor.

Não nascemos com o amor. O amor é uma linguagem. E como as palavras não são as coisas, é possível inventar várias palavras para o que seja amor. Cada palavra é uma forma nova de amor. Infinitas palavras ainda serão inventadas para o amor.

Sentir amor é diferente de amar porque é mais efêmero e fulgaz. Amar é mais duradouro. Inclusive, podemos amar uma pessoa e sentir amor por outras. Por que não?

Temos mania de julgar e de hierarquizar tudo. Daí, não sei a partir do que, saímos por aí dizendo que o passageiro é pior que o duradouro e que o muito é melhor que o pouco? O que é o muito? Conheço casamentos longos que – o casal – sequer – experimentou uma vez sentir amor entre si.

Não é saudável enquadrar a novidade. Precisamos ver o novo não a partir do nosso velho, mas a partir do próprio novo.

Acho lindo um casal se pegando no canto de uma festa. Vejo amor naqueles corpos se contorcendo, naquelas mãos deslizando, pegando e amassando aqueles corpos, naquelas línguas extravasando pelos lados das bocas e naqueles olhos pulsando de tesão.

Adoro ver quando a pegação acaba. Nada é dito. Nem mesmo os nomes. Não foi preciso. O corpo disse. A pele disse. O orgasmo disse tudo.

Ambos voltam para a pista. Recomeçam a dançar. Ao final da festa, voltam para suas casas: leves e felizes. Quer melhor amor que esse?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

 

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