HÁ OUTRAS SAÍDAS PARA ALÉM DA LOUCURA E DAS DROGAS …

 

Tentamos apreender o mundo pelas palavras. Queremos entender o sentido da vida. Gostaríamos de não envelhecer e de não morrer. No entanto, não há palavra para isso. É porque não sabemos, que angustiamos.

A loucura é incapacidade de lidar com a falta da palavra. O louco, diante do insuportável da existência, foge para seus delírios e alucinações.

O alcoólatra e o toxicômano tentam neutralizar esta falta na bebida e nas drogas.

Para a Psicanálise, não existe gozo completo – a não ser na loucura e na dependência química. Estar na palavra implica ter que lidar com o que a palavra não toca.

Desse modo, ou somos seres falantes, ou somos loucos ou compulsivos.

Não existiria outro caminho para além desses três? Todos que não lidam com a realidade pelo viés da palavra, seriam loucos ou dependentes? Não. Há, sim, outro caminho.

O problema da palavra é que não existe palavra final para nada. A questão da loucura é a impossibilidade de conexão com o mundo estando em uma realidade paralela alucinada e delirante. O problema da dependência química é a autodestruição provocada pela droga e pelo álcool.

No entanto, há uma quarta via diferente da palavra, da loucura e da ingestão de substâncias nocivas à nossa saúde. Não somos só palavra, só surto ou só consumo.

O mundo é repleto de sons, silêncios, cores, imagens, sabores e sensações que podemos interagir e usufruir sem nos causar qualquer angústia ou pânico.

Não suportamos a incompletude da palavra. No entanto, os sons são inteiros. As paisagens são como são. Os sabores existem para serem sentidos e os silêncios nos dão a sensação de leveza e de liberdade.

Não obstante, ninguém sobrevive o tempo todo de se perder de si na beleza do que se passa fora de si. Somos seres sociais. Temos questões que precisamos negociar com a palavra. Estas questões são insolúveis. Contudo, necessitamos encontrar um jeito de viver em sociedade de tal modo que fique – minimamente – bom para todo mundo. É este jeito – que não existe – que é desesperador para muitos.

É daí que muitos enveredam pela obsessão da palavra e enlouquecem ou necessitam de algum entorpecente para curto- circuitar as angústias do que a palavra não consegue suplantar. Ou seja, acham que a vida pode ser reduzida ao pensar e ao falar. Por isso, piram.

Viver não é só pensar e falar. Viver é – também – ouvir, sentir e tocar. Ouvir com contemplação, sentir com entrega e tocar para regozijar. É este o verdadeiro que compensa a loucura da palavra que não temos.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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