POR QUE NÃO GOSTO DOS ANTIDEPRESSIVOS?

 

Ninguém faz nada por acaso. Tudo tem algum propósito. Não vamos à padaria apenas para comprar pão. Precisamos do alimento, senão morreremos.
Ninguém gosta de viajar por um acaso. Viajamos porque se não movimentarmos entramos em depressão.
Ou seja, tudo o que fazemos é para não adentrarmos em um estado de letargia física, intelectual ou emocional.
Não querer morrer de fome é uma decisão psíquica de amor à própria vida. Nenhum medicamento cura a falta de amor próprio.
Tudo o que sei de mim e tudo o que o que sinto por mim é composto de imagens, ideias e falas que escolhi para me referir. Portanto, todo mundo possui algum saber sobre si. É ele que é determinante no modo como cada um lida consigo, com seu corpo, com sua aparência, ideias, emoções e ações.
É por isto que não gosto dos antidepressivos e ansiolíticos. Com isto, não estou dizendo que não sejam importantes para casos bem específicos.
Por que não gosto de antidepressivos e ansiolíticos? Porque me retardam. Quando me dopo, neutralizo meu poder de construir um saber sobre mim. Outro dia encontrei uma pessoa que se refere ao seu sonífero com a intimidade de “meu Rivotril”. Tenho um conhecido que diz que Rivotril deveria ser pingado na rede de água que abastece todos os domicílios urbanos.
Por que tanta gente prefere os psicotrópicos no lugar de construir um saber sobre si?
Não é mesmo fácil fazer um enfrentamento de si. Os saberes são muitos. As palavras são infinitas. É muito difícil juntar palavras, formar frases e criar conceitos que possam dirigir quem sou.
No entanto, nenhum saber sobre si pode ser comprado para ser ingerido. Todo conhecimento de si é um autoconhecimento de si: ninguém pode fazer por ninguém. É de cada um.
É por isto que muitos preferem se entupir de drogas: o efeito é imediato e dispensa o usuário de se ver no que lhe é insuportável de si.
No entanto, não saber de si é se acovardar de si. Também, usar uma muleta artificial para se sustentar na vida, não resolve. Não saberemos o que nos irá acontecer daqui a pouco. Não existe um medicamento específico para cada dor de viver. Deve ser por isto que muitos estão desistindo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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