QUEM É DEUS PARA MIM?

Tenho um barulho dentro de mim. Parece aquele som de floresta quando não está ventando e quando todos os animais silenciam. Parece, também, o som de uma mesma nota tocada continuamente.

Eu sempre brinco que este é o som de Deus – porque independe da nossa vontade.

É um som que só pode ser escutado. Não pode ser visto e nem tocado.

Não posso aumentar e nem diminuir o seu volume. Não posso pedir para ele parar.

É um som que não controlo. Ele me habita sem que eu possa escolher se ele deve ou não ficar em mim.

Penso que viemos dele e para ele voltaremos. Penso que todos os meus que se foram estão nele. Eu os ouço sempre quando foco nele.

É um som puro. De paz. Sem antes nem depois. Sempre o mesmo. Sem ansiedade – porque nunca acaba. Sem angústia, porque nunca muda.

É um som eterno porque está antes, durante e depois de cada um de nós.

É o som da infinitude. Sem identificação. Sem emoção. Sem sentimento.

Nele toda dor cessa. Toda angústia se esvai. Toda ansiedade se sucumbe. Ir até ele é como mergulhar no nada. Precisamos experimentar o nada. Afinal, não é para lá que todos nós iremos?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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