MUITO CUIDADO AO JULGAR AS PESSOAS …

Ninguém é perfeito. Ninguém tem a verdade.

Julgamos por palavras, conceitos, teorias, ideologias e doutrinas. No entanto, somos muito mais que tudo isso.

Não há palavra para tudo.

Não há quem não se sinta angustiado, ansioso, deprimido ou melancólico diante dos enigmas da vida.

A dor de existir – e a forma de lidar com ela – não é igual para todos.

A questão é o que cada um vai colocar no lugar disso que lhe insuportável. Não se trata de ser forte ou fraco, corajoso ou covarde.

Muitos controlam seus desesperos na religião. Muitos se arranjam com a comida. Outros com o trabalho. Outros com o futebol.

Viver não seria possível se cada um não inventasse seu modo próprio de não enlouquecer diante da realidade de existir.

Neste sentido, não há quem não tenha algum vicio, mania ou compulsão. Cada um fica onde lhe é menos desesperador.

É muito fácil a um religioso dizer que está no caminho certo e que um ateu está no caminho errado.

Posso não ser ateu. No entanto, não condeno – uma vez que jamais conseguirei adentrar o interior de uma pessoa para saber da dimensão do que seja para ela existir.

Escutar é um modo de transpor a dor para o campo da palavra. É um modo de fazer com que ela não seja levada para as drogas ou para o fanatismo religioso – por exemplo.

Acolhamos – então –  esta dor. Não para julgar, mas para compreender o modo como cada um faz para lidar com o que de si ninguém pode fazer qualquer coisa.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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