MUITO CUIDADO AO JULGAR AS PESSOAS …

Muito cuidado ao julgar uma pessoa. Ninguém é perfeito. Ninguém tem a verdade. Ninguém sabe tudo.

Julgamos as pessoas por palavras, conceitos, teorias, ideologias e doutrinas. No entanto, as pessoas são muito mais complexas que tudo isto junto.

Fora que as palavras não são as coisas. Somos constituídos de coisas para as quais não há palavras.

Não há quem não se sinta angustiado, ansioso, deprimido ou melancólico diante das certezas da vida. A dor de existir – e a forma de lidar com ela – não é igual para todos.

A questão é o que cada um vai colocar no lugar destas certezas insuportáveis. Não se trata de ser forte ou fraco, corajoso ou covarde.

Muitos controlam os desesperos da vida através da religião. Ficar pensando em não pensar em sexo não deixa de ser uma forma de fugir destas certezas. Cada um se arranja como pode. Muitos se arranjam com a comida. Outros com o trabalho. Outros com o futebol.

Viver não seria possível se cada um não inventasse seu modo próprio de não enlouquecer diante da realidade de existir.

Neste sentido, somos todos viciados. Somos todos drogados. Todos temos algum vicio. Alguma mania. Alguma compulsão. Cada um fica onde lhe seja menos desesperador. Toda escolha implica em abrir mão de outras tantas escolhas.

É muito fácil um religioso dizer que está no caminho certo e que um usuário de drogas está no caminho errado. Ele pode dizer que a religião não mata – o que depende do que ele entende como sendo morte.

Não sou usuário de drogas. No entanto, não saio por aí condenando ninguém por isso – uma vez que jamais conseguirei adentrar o interior de quem quer que seja para eu ter uma ideia da dimensão do que seja para ele a sua dor de existir.

A dor de viver não é igual. Precisamos compreender a escolha de cada um – e sem fazer qualquer julgamento moral – como o modo encontrado por ele para responder ao que muito lhe perturba.

Acho interessante como a psicanálise acolhe as pessoas. Escutar é um modo de transpor esta dor para o campo da palavra. Trazê-la para a fala é um modo de fazer com que ela não seja levada nem para as drogas e nem para o fanatismo religioso – ao menos enquanto se está falando. Acolhamos, então, a dor de cada um. Pode acontecer, ao escutarmos esta dor, de compreendermos, perfeitamente, a escolha que o outro fez para lidar com ela.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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