VOCÊ AINDA TEM ESPERANÇA NO BRASIL?

Você tem tido pesadelos sofrendo acidentes de carro? Caindo de precipícios? Sendo brutalmente atacado? Alguém invadindo a sua casa e roubando o que é seu?

Pois bem, tudo isto faz algum sentido. Estes pesadelos, na verdade, estão relacionados com a nossa atual falta de perspectiva no futuro.

Não é o carro. Não é o abismo. Não é um assalto. É a sociedade nos tirando tudo o que é nosso. É o poder agindo na contramão dos nossos interesses.

É o desemprego. É a falta de dinheiro. É não poder pagar as contas. É não ter o que comer. É não ter mais com quem contar. É o caos social.

O mundo já passou por isso várias vezes. Na crise de 1929, a grande maioria das famílias norte-americanas perderam tudo. Nas duas grandes guerras mundiais os países demoraram décadas para se recomporem economicamente.

Ocorre que, no século XX, os governos dos países capitalistas interviram na economia com o objetivo de garantir minimamente as condições básicas das populações mais miseráveis. Isto, em certa medida, em muito amenizou o pânico e o desespero destas pessoas no campo do subjetivo e do social. A população podia contar com o Estado. Os governos sempre davam alguma esperança.

Agora, tudo isto acabou. Nesta onda neoliberal a ordem é enfraquecer o poder político e acabar com o poder do Estado. Ficaríamos nas mãos dos nossos patrões e suas obsessões por lucros cada vez mais absurdos.

Contar com quem? Com empresários que nunca vimos? Com patrões que desconhecem a nossa existência? Com patrões que querem acabar com nossos direitos? Com empresários que decidem nosso futuro a partir de tabelas e gráficos?

Ninguém consegue ter paz no presente se não puder vislumbrar um futuro minimamente seguro. Ao vislumbrarmos, no presente, um futuro nebuloso, é necessário que o poder venha à público nos dar alguma esperança de dias melhores. E quando o poder faz exatamente o contrário? E quando o poder só toma medidas semelhantes às de um leviatã cortando tudo?

Definitivamente, não é um carro nos atropelando, não é o abismo, a agressão ou o assalto. É o nosso futuro, com nossos políticos agindo não mais a nosso favor. Muito pelo contrário, é a força do Estado tomando o que levamos uma vida inteira para conquistar como se nada disso nos pertencesse, mas pertencesse somente ao grupo que ele representa. É o Estado que nós elegemos, tomado por grupos econômicos totalmente avessos ao nosso bem-estar e a nossa qualidade de vida.

Agora, estamos diante do pânico, da depressão, da melancolia e do suicídio institucionalizado. O Estado quer que morramos. Estamos sendo perseguidos por um inimigo detentor de uma força descomunal. O Estado quer nos destruir.

Nossos governos foram confiscados por grupos econômicos que não estão nem aí para os nossos interesses. Muito pelo contrário. Agora, é cada um por si e Deus por todos. O problema é que este cada um é composto de milhões. Muitos não sobreviverão. É o Estado resolvendo o problema de quem muito já tem pelo genocídio de quem nada tem ou de quem poderá não conseguir vir à ter.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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