QUEM SOU?

Primeiro inventamos as letras. Em seguida, ligamos as letras e formamos as palavras. Depois, desembestamos a ler e a falar. Com isto, deixamos de viver no mundo das coisas e passamos a viver no mundo das palavras.

Como ninguém tem a palavra final, a vida vira uma confusão sem fim.

Socialmente, nosso desafio é tentar chegar a um acordo mínimo.

Subjetivamente, não é o melhor caminho tentar saber de si pelas palavras. Se assim o fizermos, entraremos em uma canoa furada.

Jamais saberemos quem somos pelo pensamento.

Não consigo me definir em um traço, em uma letra, em uma palavra ou em uma frase.

A coisa se complica ainda mais quando tento transformar todos os supostos desenhos que faço de mim em sons. Quando mais me desenho e mais me interpreto, mais me distancio de mim.

Portanto, se não sou de escritas e nem de falas, do que sou, afinal?

Sou de silêncio. E, sendo de silêncio, não consigo me escrever e nem me verbalizar. Estou antes das letras, das palavras e dos sons. E por não conseguir me escrever e nem me falar, tenho que ver o que vou fazer comigo nisso que nada e nem ninguém me toca.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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