NINGUÉM MORRE …

Todos que se foram, de alguma maneira, continuam conosco.

Ao morrermos, retornamos à terra.

Desse modo, quem morre não parte. Todos que morrem permanecem vivos na natureza como ar, água, frio e calor.

Portanto, estou respirando , bebendo e sentindo os meus. Vivo os meus no úmido, no quente, no seco e na chuva.

Despedimos para viver de outro modo. Tudo está em tudo.

Viver é ter a oportunidade de estar aqui – só que de diferentes formas.

Ninguém morre. Apenas mudamos nossos estados, nosso jeito de nos comunicar e nosso modo de nos fazer presentes.

Creio que, depois da morte, permaneceremos – eternamente – seguindo nos fluxos da natureza.

Os meus não se foram. Os meus continuam comigo. Só que agora os sinto enquanto respiro e alimento, os sinto no calor do sol, no clarão do luar e no frio que me toca.

Não sofro porque perdi. Na verdade, ninguém perde. É certo que não os verei mais como eram e não poderei mais lhes falar, lhes tocar e nem lhes sentir como antes. Portanto, tudo é uma questão de ampliação do modo de perceber e de compreender.

Não nos abandonaremos nunca. Apenas mudaremos o modo de interagirmos.

Acompanhei os que me eram queridos. Pude ver suas passagens. Os meus que morreram não são mais os mesmos. Não viraram anjos e nem espíritos. Viraram natureza. Ou seja, apenas modificaram a forma de continuar comigo.

Eu os sinto a todo momento – e é isto me acalenta.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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