NÃO CONHEÇA A TI MESMO …

Para as viroses, antibiótico. Analgésico, para as dores. E para as nossas angústias existenciais? Não há antídoto preciso. Aprendemos que a saída seria pelo conhece-te a ti mesmo. Doce ilusão! Pensar é só um dos possíveis caminhos para lidarmos com nossos inimigos internos.

Infelizmente, nascemos indo para a escola. E vamos para a escola para aprender a pensar. Vamos para a escola para aprender uma profissão. Quem dera se o sentido da vida fosse apenas uma questão racional ou técnica.

Talvez tivéssemos que tomar os bebês como o modelo mais completo de uma vida sem angústia e sem ansiedade.

A civilização detonou com a nossa primeira infância. Toda essa assepsia em nome da boa educação e da moralidade nos tornou limitados para lidar com nossas desavenças existenciais.

Em nome do pensar e do comportamento dito normal, deixamos de lado nossos gestos, perdemos a liberdade quanto ao uso da língua. Ninguém vai para a escola para aprender a gozar do paladar. Dos cheiros. Do canto. Dos movimentos. Do olhar. Da imaginação. Do prazer. Do lúdico.

Viramos uma civilização em que quase todo mundo fala, pensa e age igual. Bebe, come e transa igual. Para tudo temos um blá-blá-blá pronto. Desconhecemos o valor silêncio. Nossos objetos possuem usos definidos. Nossos gestos estão todos delimitados. Nossos movimentos robotizados. Não alteramos as rotas. Não experimentamos o novo. Não misturamos. Não ousamos.

Como não há um antídoto preciso para as nossas angústias, temos que alternar nossas experimentações – como um bebê que não para nunca. E à cada experimentação, a angústia sai escorregando pela frente, pelo lado, por cima ou por baixo. Sofremos, porque repetimos o já caduco. Sofremos, porque nos limitamos. Sofremos, porque perdemos a nossa inventividade. É uma pena! Eu nunca vi um bebê sentir angústia, ficar ansioso ou enlouquecer.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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