VOCÊ SABE DESCANSAR A SUA MENTE?

Temos uma tendência em achar que o que não tem sentido não serve para nada. Doce ilusão! O que não tem sentido tem tanta valia quanto o que tem sentido. Só nos desligamos no que não tem sentido. Não precisamos prestar a atenção. Não precisamos pensar.

Deve ser por isso que estamos tão estressados. Somos uma civilização da fala. Mesmo a sós continuamos conversando com as pessoas dentro de nós mesmos. Pouco desligamos. Quase não dormimos.

Somos uma civilização do que só tem sentido. Não nos ocupamos do que não tem sentido. Para nós só serve se tiver algum entendimento. Se tiver alguma troca. Alguma comunicação. Fora isto, é tudo bobagem, loucura ou perda de tempo.

Não é bem assim. O que não tem sentido é o contraponto do que tem sentido. Do mesmo modo que precisamos dormir para sermos produtivos. Que precisamos comer para nos sentirmos saciados. Precisamos – também – experimentar o que não tem sentido como uma forma de descansar o nosso mental.

Na verdade, nunca concluímos o que tem sentido. É por isso que pensamos até quando deveríamos descansar o pensamento. Fora que o que não falta é coisa para pensar.

No entanto, não existe melhor remédio para a nossa saúde psíquica que descansar o nosso mental. E só descansamos a nossa mente cessando o movimento de buscar o sentido de tudo.

Como podemos fazer isto? Pensando no que não tem sentido. Olhando e escutando o que não nos exige qualquer esforço intelectual. Por exemplo, ao invés de pensar enquanto estamos a sós, deveríamos nos atentar para os barulhos presentes em nosso entorno. Por exemplo, sons de vozes ao longe, o barulho do vento, o movimento dos galhos das árvores, o canto dos pássaros, os diferentes sons da cidade, da rua, do vizinho. O latido dos cães. O próprio silêncio. Tudo isso tem alguma beleza. Tudo isto relaxa porque não nos chega como um problema. São sons e barulhos distantes. Não doem nossos ouvidos. Nunca se repetem do mesmo modo. Não exigem de nós qualquer esforço intelectual ou qualquer trabalho de compreensão. Portanto, não nos geram angústia e nem ansiedade. Só nos relaxam porque imobilizam o nosso mental.

Se para tudo existe um contraponto, porque não pode existir um contraponto para a eletricidade mental?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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