O QUE É A PAZ?

A psicologia compreende a mente como composta de percepções, pensamentos e imagens. Não é só isso.

Pouco sabemos do mental. Creio existir mais espaços de silêncio que de ideias em nosso intelecto.

Não sabemos cultivar nosso silêncio mental. Temos pânico do nada. Não suportamos o vácuo. Necessitamos de barulho para existirmos. Tudo que não é movimento, soa-nos meio desesperador.

Não é na confusão de ideias que está a nossa paz. Não é na agitação mental que descansaremos. Nossa calmaria está no ponto onde cessa todo a nossa eletricidade psíquica.

Precisamos aprender a cultivar a parte imóvel de nós.

Ninguém nunca é. É o maior engodo querer se descobrir buscando a razão de si. As palavras não são as coisas. A palavra “casa” é outra coisa diferente do objeto casa.

Pensar sobre si não é o melhor modo de saber sobre si.

Ninguém tem a última palavra sobre qualquer coisa.

Não tenho dúvida que a angustia e a ansiedade só apareceram para a humanidade no dia em que começamos a pensar.

Pensar é infernal. Quem algum dia chegou a algum pensamento definitivo?

Portanto, estamos no caminho errado da paz que tanto almejamos. A paz é desprender-se da arrogância de tudo querer saber. A paz é silêncio.

Não há duplo sentido para o silêncio. Não há o silêncio do silêncio. Não há antes e depois do silêncio. O silêncio não tem lados. Não tem tamanho, peso, cor, forma ou gosto. Não há começo, meio e fim do silêncio. O silêncio é – simplesmente. No silêncio tudo cessa. Deus deve ser o silêncio. A eternidade deve só ser.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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