NINGUÉM SABE DE SI …

Tendemos a achar que sabemos quem somos quando temos clareza das nossas ideias, dos nossos sentimentos e das nossas reações. Achamos que nos descobrimos quando definimos a roupa que gostamos, nosso perfume favorito e qual profissão queremos seguir. Muitos se acham autênticos apenas por suas posições políticas, artísticas, religiosas e morais. Não somos no que sabemos sobre nós mesmos. Somos depois de todos os saberes que construímos sobre nós mesmos. Se soubéssemos sobre nós mesmos, não angustiaríamos. Não sofreríamos de ansiedade e não desenvolveríamos nenhuma doença psicossomática. Sofremos – exatamente – porque tememos a nós mesmos. Sofremos, para fugir de nossas verdades. Quando acho que sei quem sou – no fundo – estou é me acovardando de mim mesmo. Não saberemos quem somos tentando saber quem somos. Nenhuma palavra nos toca. A palavra é como a borda de um vaso que circula um vazio. Não sabe de si quem pensa sobre si. A religião mente sobre nós. A filosofia também. A ciência não menos. Não temos que buscar saber quem somos. Temos que carregar quem somos. Carregar sem querer saber. Carregar o que pensamos, sentimos e o que nenhum pensamento e nenhum sentimento pode fazer qualquer coisa por nós. Quanto à quem somos, não podemos resolver no campo do saber. Só podemos resolver no campo do fazer. Espera-se que façamos bem feito com isso.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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