A VIDA É USUFRUTO: APROVEITE ENQUANTO É TEMPO!

Somos universal e particular. Universal, porque somos finitos. Particular, porque estamos vivos. Universal, porque não podemos tudo. Particular, porque podemos ao menos uma parte.

Não apenas vamos partir um dia. Estamos de partida à cada segundo que passa.

É da nossa natureza que estamos nos despedindo enquanto usufruímos da vida. Não há o que possamos fazer quanto a isso.

Poderíamos gozar enquanto despedimos. No entanto, muitos vivem mais a despedida que o prazer da passagem.

Os psicanalistas dizem que é – também – vida quando optamos por não viver. Só não seria vida se nossa escolha resultasse na interrupção – em definitivo – do nosso caminhar. Seria vida qualquer dor que não fosse adiantar a dor final.

A questão é que não sabemos viver na contingência. Não sabemos viver na contradição. Não sabemos lidar com opostos. Não sabemos viver na diferença. Queremos resolver. Queremos purificar. Não sabemos ir. Só queremos ficar.

Não usufruímos quando queremos eliminar a despedida. Não podemos fugir do fato de que viver é – também – dar adeus à vida. Não temos poder sobre o tempo. É certo que seremos vencidos por ele.

Não possuímos a vida. A vida nos foi dada em usufruto. Estamos só de passagem. O fato é que enquanto viajamos para o fim, podemos ir cavando – na finitude -nossos buracos de felicidade.

Morrer não deveria ser um diminutivo de viver. Morrer deveria ser um quantificador de viver – e sem jamais desistirmos de roer esse osso.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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