REFUGIADOS …

Meu lugar é o meu sentido. Minha terra. Minha língua. Meus costumes. Onde piso. O que vejo. O calor. O frio. A luz. As paisagens. Tudo me conforta. Meu lugar sou eu. Mas, meu lugar não é meu. Um dia irei para sempre. Ele ficará. E se me obrigam a sair antes? Não há outro lugar. Tudo tomado. Tudo ocupado. Como posso voltar a ser? Angústia. Medo. Terei que pedir permissão? E se não me deixarem? Desespero. Pânico. Para onde vou? Que lugar é esse? Qual língua? Quais costumes? Como serei tratado? Vou obrigado. Vou sem nada. O que terei? Será que terei? O que me darão? Amor? Acolhimento? Repulsa? Ódio? Morte? Será que voltarei a ser? Poderei amar a terra que eu pisar? Poderei amar a cama que eu deitar? Poderei apaixonar pela paisagem da janela? Não é só de comida que preciso. Preciso me encontrar. Preciso confortar meus desesperos. Preciso de um lugar para voltar a dançar. Preciso fazer amigos. Preciso voltar a amar. Preciso voltar a me ver em algum lugar. Preciso ser a terra que pisarei. Preciso me reconhecer nos ventos. Nos calores. Nas cores do céu. Preciso voltar a ser humano. Não é só de comida que preciso …

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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