TODO MUNDO TEM QUE SOFRER POR AMOR …

Só não podemos enlouquecer. Só não podemos colocar nossas vidas em risco. Só não podemos colocar a vida de ninguém em risco.

Qualquer coisa que não seja violência, está valendo. Até sofrer. Angustiar. Ansiar. Somatizar.

Foi para isso – também – que o amor nos foi dado. Encontramos no amor o melhor antídoto para não pirarmos. Não – especificamente – no amor. Mas, na dor que acompanha todo amor.

Não existe o amor romântico que buscamos. Nem mesmo o amor pode nos livrar da loucura. Nenhum amor nos livra da finitude. Quantos não surtam por no amor? Quantos não colocam o sofrimento de amar no lugar de enlouquecer por existir?

Quem disse que não é válido sofrer por amor? É até bonito. Vira poesia. Vira música. Tem nobreza.

Usamos o amor não por amor. Usamos o amor para encontrar um sofrimento que utilizaremos para conter questões nossas que nada dizem respeito ao amor.

Não sofremos por amor. Sofremos no amor porque somos finitos.

É complicado não amar. Sem amor ficamos perdidos na vida. Sem amor não temos como sofrer por aquilo que – realmente – nos desespera.

Sem amor não fazemos mais poesia. Não sentimos mais dor de cotovelo. Perdemos a dor de amar que até bem pouco tempo amenizava nossas agruras existenciais.

Não mais sofremos para não pirar. Estamos pirando. Não mais sofremos para não morrer. Estamos morrendo. Acabou o amor e a dor de amor – tão necessários à nossa sobrevivência.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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