NÃO HÁ O SENTIDO: HÁ O SENTIR!

Não nos contentamos com um lençol limpinho e cheiroso. Com um cobertor macio. Com aquele travesseiro que carregamos para todo lugar e com aquela nossa cama que não existe outra igual.

Esquecemos de apreciar o vento fresco. O calor do sol. O céu azul. A noite. As estrelas e a lua cheia.

Não mais concentramos nos sabores. Só engolimos a água. Comemos só para matar a fome. Não temos tempo para os cheiros e os gostos. Falta-nos tempo para o salgado, o doce, o azedinho das frutas, o amargo saboroso do chocolate e o sabor particular de cada legume e de cada verdura.

Não mais aproveitamos a hora do banho como um ritual de cuidado e de prazer nosso. Tocamos sem perceber o toque.

Não somos mais deste mundo. Viramos seres de pensar e de imaginar. Viramos seres de falta. Achamos que a nossa felicidade encontra-se no que idealizamos e fantasiamos. Daí, viramos as costas para o mundo e passamos a delirar um mundo que achamos que podemos ter.

Não contemplamos mais o verde. Não apreciamos mais o mar. Não admiramos mais a beleza natural de cada pessoa. Não mais olhamos nos olhos. Não mais escutamos esquecidos do tempo. Não seguimos o fluxo natural da vida.

Temos pressa. Temos que fazer valer nossos sonhos. Temos que ter o que nos falta – e pra já. Estamos afoitos. Ansiosos. Elétricos. Viramos seres insatisfeitos. Só enxergamos incompletude em tudo.

Seria a lua incompleta? Quem disse? Seria o sol é depressivo? Seria o ar é ansioso? A natureza não é triste. O mar não é melancólico. O mundo é – naturalmente – completo. Incompleto é a nossa cabeça. As pessoas nos foram dadas. Há um particular que é próprio de cada um e de cada coisa.

No entanto, pensamos, questionamos e criticamos. Não sei quem nos ensinou a desfazer do que somos e nos fez adentrar em um mundo de ilusões. Desfazemos tanto do mundo que temos, que quando a vida perde o sentido muitos desistem de viver.

A vida não é para ter sentido. A vida é para ser sentida. Não há o sentido. Há o sentir. Esquece o sentido e comece a sentir. Este o grande segredo da vida boa.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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