DE QUEM É A CULPA QUANDO O AMOR ACABA?

Quando dói o pé colocamos a culpa no sapato. Quase nunca olhamos para o nosso próprio pé.

E quando é o relacionamento? Como alguém pode admitir que teve culpa por ter levado um fora? Como alguém pode admitir que perdeu por ter amado demais? Como alguém pode ter responsabilidade por ter sido traído quando foi companheiro, cúmplice e confidente?

Eis o nó da questão.

Somos seres linguagem. Por isso mesmo não somos exatos. O amor deveria ser da ordem da linguagem. Portanto, pode ser visto de diferentes ângulos. O problema é quando o amor sai do rol das palavras e adentra o rol das coisas.

Uma pessoa muito dedicada pode ser catastrófica. Não existe uma medida ideal para a dedicação. Por excesso de confidencialidade posso ter sufocado o outro de me confidenciar de si.

Pode acontecer de usarmos o amor para realizarmos o desejo de não sermos amados. Como assim? Tudo demais pode ser de menos.

A questão é que quase nunca é o meu pé. Quase nunca sou eu. Quase sempre é o outro. Tenho que me ver. Se já é difícil olhar para o meu próprio pé, imagina ter que olhar para si mesmo?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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