O QUE É A VERGONHA?

Somos duplos. Somos o que somos e somos o que a sociedade gostaria que fôssemos. O que somos é o que temos de mais verdadeiro. O que somos de acordo com a sociedade, serve para camuflar o que somos verdadeiramente. Portanto, recalcamos nossas verdades. Tomamos como se não existisse esse outro que somos e que o meio não nos permite ser. O fato de recalcar quem somos não significa que deixamos de existir em nossas verdades. Sempre há a possibilidade do recalcado retornar. A vergonha aparece quando vacilamos e deixamos nossas verdades recalcadas virem à tona. Nossos desejos mais autênticos são os que mais escondemos. São as nossas fantasias sexuais. Nossa agressividade. Nossos gostos proibidos. Nosso lado mais animalesco. Nossa gana pelo poder. Nossa ânsia de tudo dominar. Enfim, tudo o que somos de mais destrutivo. Não passamos ilesos desse nosso eu camuflado. Volta e meia ele aparece em pensamentos que não esperávamos. Aparece em piadinhas de mal gosto. Aparece em nossas mudanças repentinas de humor. Aparece em nossos gestos, olhares, comentários e atitudes. Daí, quase morremos de vergonha. Logo tentamos, em vão, nos justificar. Melhor seria se ficássemos calados. Ainda bem que muitos ainda sentem-se envergonhados de suas verdades ocultas. Pior são aqueles que não. Pior são os caras de pau: executam o pior de si e ainda saem impunes disso.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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