VIVA A POESIA!!!

Não tenho gostado de pensar o mundo pelo olhar dos cientistas e dos filósofos. Só me angustia querer saber a causa de tudo – no sentido de que não existe uma causa última.

Não tenho gostado do “conhece-te a ti mesmo da filosofia”. Só me torna mais ansioso essa história de querer saber quem sou –  no sentido de que acabo sempre sem saber como posso ser depois de mim.

Tenho gostado de me enxergar como um ser infinito – sem antes nem depois, sem causa, sem consequência e sem qualquer forma de hierarquização.

Gosto do impossível dos poetas.

Na poesia, as coisas são como são. O poeta experimenta de tudo. Na poesia tudo passeia porque tudo pode dentro de um verso – e nela todas as contradições são possíveis.

A poesia não envereda pelo engodo de um purismo linguístico. A poesia é como a vida: cheia de ruídos, manchas, desavenças, inconstâncias e irregularidades.

Acho os poetas mais verdadeiros que os filósofos e os cientistas porque sabem carregar as incoerências da vida.

Não posso contra a finitude. Não posso contra as tristezas, as depressões e as melancolias de existir. Viver é experimentar um turbilhão de sentimentos de toda ordem. Melhor é não lutar contra.

A poesia nos faz antever o que da vida é inevitável.

Creio que se lêssemos mais poesia não precisaríamos tomar tantos antidepressivos.

Ocorre, que na vida, quanto mais tentamos fugir, mais próximo ficamos do inevitável. Não seria melhor se o levássemos junto? A poesia sabe fazer isto muito bem!

Viva a vida como ela é! Viva a poesia!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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