TERMINAREMOS EM SILÊNCIO …

O que é meu e que me acompanha desde que nasci? O que sou e que nunca mudou em mim? O que sou e que nunca envelhece? O que sou e que permanece o mesmo desde que cheguei aqui? Quase tudo modificou em mim: minha voz, minha pele e meu cabelo. Mudei de casa várias vezes. Relacionei com os mais variados tipos de pessoas. Este não sou eu. Isto não sou eu – porque tudo isto só aconteceu porque me angustiei e sofri. Toda mudança só acontece em detrimento de alguma insatisfação. O que sou e que não posso mudar? O que sou e que não posso interferir? O que sou e que não me angustia? Meu silêncio. Posso pensar sobre meus pensamentos. Só não posso pensar no que está depois dos meus pensamentos. Se cesso de pensar, me encontro – sem perturbação e sem conflito. Encontro a calmaria e a paz de viver, quando foco no meu vazio de mim. Sou no que não tem depois. Sou no que não se explica. Sou no que é permanente. Sou no que trago de eterno em mim. Preciso deixar de me ouvir em meus pensamentos. Preciso me tirar essa obrigação de me encontrar pelas minhas ideias. Preciso me despir disso que nunca me encontro. Preciso aprender a viver nesse lugar que posso ser sem precisar saber sobre mim. Preciso habitar esse lugar que nunca tenho que provar quem sou. Não nasci pensando. Não devo continuar pensando após a minha morte. Portanto, nasci do silêncio e devo retornar para ele. O vazio é a minha verdade. Não tenho dúvida de que terminaremos todos no nada. O vácuo é a única certeza de todos nós.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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