SONHE MENOS E VIVA MAIS …

Não desfaça do que você tem. Não conte com o que você não é.

Quem somos? Não somos um conceito. Pensar é infinito. Somos o entorno. Somos só o que – de fato – podemos.

Não posso viver de um som que não posso escutar. Não posso viver de uma paisagem que não posso enxergar. Meu prazer é o que tenho agora. Não posso viver no paralelo.

Enquanto vivo do que eu poderia ser, deixo de viver do que estou sendo agora. Meu lugar é este onde estou. Meu tempo é hoje.

Meu pensamento só deveria me levar para coisas reais. Tenho que estar todo onde estou. Devo me julgar apenas quando começo a me torturar por querer o impossível. Meu pensamento não deveria servir para me fazer fugir da vida real.

Não devo me deixar tomar por delírios. Preciso aprender a sonhar sem me angustiar. Devo querer sem desfazer da minha alegria de viver.

Sonhar deveria ser uma atividade etérea: sem corpo e sem frustração. Deveríamos carregar uma tecla para desligar nossos sonhos mirabolantes. Deveríamos sonhar, porém, sem contaminar o cotidiano que somos. Sonhar deveria ser uma atividade exata – sem trazer qualquer transtorno ao sonhador.

Deveríamos gozar apenas das nossas conquistas. Precisamos encontrar uma forma de não sofrer com o que esperamos.

Sofremos porque atribuímos toda a nossa felicidade à concretização dos sonhos que temos. Sofremos porque nossos delírios advêm da infelicidade que nutrimos com a realidade que somos.

Precisamos encontrar um modo de sonhar não porque estamos tristes. Nossos sonhos não podem resultar do quanto estamos ansiosos. A falta é uma mentira. Não faça por não ter. Fazer por falta é como fazer sem nunca usufruir.

Precisamos inventar um jeito de querer não por ausência. Precisamos encontrar um modo de querer estando-nos completos. Precisamos encontrar um jeito de não nos deixarmos tomar – inteiros – por nossos devaneios.

Deveríamos sonhar e voltar do nosso sonho – sem qualquer infelicidade.

Precisamos criar uma relação menos obcecada com quem não somos. Precisamos sobrepor o que temos ao que não temos. Precisamos gostar mais do mundo real que do mundo irreal. Precisamos sonhar menos e viver mais.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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