SOBRE O DESAMOR …

Tudo no mundo é diverso. Tudo no mundo pode mudar. Não estamos preparados para o duplo. Só queremos o UM. Não sabemos lidar com o inevitável. Nada melhor quando encontramos o beijo que procuramos, a pele que desejamos, a conversa que gostamos e a transa que nos faz subir pelas paredes. Não há melhor coisa na vida que encontrar um grande amor. No entanto, o amor não é a nossa única verdade. O ser humano é muito complexo para ser só o que gostaríamos. O mundo é muito grande para ocuparmos todo o pensamento de alguém. Ninguém é completo para ninguém. Alguém pode passar e o outro pode olhar. Alguém pode chamar e o outro pode dar ouvidos. Pensamentos involuntários nos chegam. Ainda que sejamos importantes, nosso amor não tem o poder de cegar, ensurdecer ou anestesiar ninguém. Isto significa que todo mundo é canalha? Não. Estou apenas dizendo que não existe a menor possibilidade de alguém ser tudo para alguém. O mundo é enorme. Há outras vozes, outras silhuetas, outros jeitos, outros olhares e outras sentimentalidades. Sempre podemos mudar de opinião. Sempre podemos fazer novas escolhas. Por pior que seja a possessividade, todo mundo está – o tempo todo – comparando e reavaliando se o que está vivendo é a sua maior felicidade. Por mais maravilhoso que seja o amor que temos, não temos o poder de privar quem estamos amando de nos chamar para dizer que nosso amor não é mais o maior amor da sua vida. Por mais que estejamos amando, não podemos esquecer que sempre existirá ao menos uma pontinha de sermos desamados. Não podemos esquecer que a proporcionalidade de sermos amados é a mesma de sermos desamados. Brigamos não por pequenas coisas. Na verdade, brigar por coisas ridículas, não deixa de ser preventivo do pavor que temos só de pensar no que de pior pode vir a acontecer. Aliás, brigar por qualquer coisa, já é meio sintomático de que não sabemos lidar com o que é perda do amor que temos. O amor – como quase tudo na vida – nunca é de uma verdade só. O amor – como tudo na vida – também tem às contradições. Não se engane, o amor só vale enquanto há amor. A verdade do amor é o próprio amor. Podemos mentir muitas coisas. No entanto, ninguém consegue mentir quando não há amor. Só ama – de fato – que sabe lidar bem com a possibilidade de ser desamado.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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