SOBRE COMPULSÃO POR COMPRAS …

Freud dizia que somos prazer e realidade. O prazer quer abocanhar a realidade. No entanto, há algo da realidade que o prazer nunca abocanha.

A realidade é a angústia.

Passamos a vida tentando apreender a angústia pela palavra. A palavra só toca as bordas da tristeza. Temos que saber-fazer com essa coisa que nada toca.

Nada e nem ninguém sabe – em definitivo – o que fazer com isso.

A dor é de cada um.

Não nascemos falando: herdamos a palavra. Isso quer dizer que herdamos algo que não dá conta de tudo. Desse modo, temos que inventar quem somos no exato momento em que o que fizeram de nós deixa de funcionar.

As pessoas não estão dando conta de se reinventarem.

Nada do que nos disseram será suficiente para amenizar nossos dramas. Passamos ao ato na impossibilidade de nos reinventarmos.

O que é passar ao ato? É o adolescente que coloca sua vida em risco – quase entrando em coma alcoólico – tentando vencer o invencível de si. É o comprador compulsivo endividando-se por completo em seu cartão de crédito.

Podemos e devemos passar ao ato com a condição de que nosso ato funcione como uma espécie de invenção inteligente sobre a realidade.

Ninguém se reinventa no real colocando sua vida em risco. No fundo, essas pessoas estão tentando neutralizar suas angústias – quando na verdade estão é se angustiando ainda mais.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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