SOBRE AMORES POSSESSIVOS

Não amaríamos se fôssemos completos. O amor ocupa em nossas vidas o lugar do que nos falta. O outro nos ama para ocuparmos o que falta nele. A questão é que este é o único sentido que conhecemos para o amor. Amamos para nos sentirmos protegidos. Amamos porque carecemos. Amamos porque não temos tudo. Amamos porque não sabemos tudo. Amamos porque não somos completos. A questão é que nem mesmo o amor pode nos livrar dessa nossa incompletude. Isto que nos falta – e que insistimos em cobrir com o amor – é constitutivo do nosso existir. É por não aceitarmos esta nossa exposição ao nada, que ficamos angustiados e ansiosos. É porque não somos completos, que adoecemos de amor. Ficamos possessivos, agressivos, obesos mórbidos ou fazemos uso abusivo de álcool e drogas. É por isso que amor e morte são dois lados de uma mesma moeda. Só sabe amar de verdade quem sabe lidar com aquilo que nem mesmo o amor é capaz de nos salvar.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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