SÓ EXISTO NA FALTA DO OUTRO …

Não adianta desesperar. Não adianta ligar várias vezes. Não adianta olhar o tempo todo nas redes sociais do outro.

Só existimos quando somos a falta de alguém.

Podemos até colocar uma foto nas redes na expectativa de  sensibilizá-lo. Ele pode até ser educado e curtir. No entanto, nada adianta se não preenchemos a falta do outro.

O que fazer para ser a falta de alguém? Não há receita.

Só somos amados quando somos o antídoto da angústia de quem amamos. Temos que aparecer no desejo do outro. Nossa lembrança precisa fazê-lo tremer.

Não adianta mudar o perfume, pintar o cabelo, trocar a roupa, exibir dotes físicos ou mostrar a conta bancária.

Não é o que parecemos que nos faz ser a falta de alguém. Não é como nos vemos que faz a fissura do outro. É a imagem que ele possui de nós que o enlouquece. Foi o gosto que ele sentiu, a pele que ele tocou, o que ele viu, escutou e sentiu que faz com ele venha ao nosso encontro. Isso é só dele. Não temos controle.

O amor é quando a falta de um encontra a falta do outro. Isto é de outro lugar que não o da razão.

A questão é quando o outro é a minha falta e não sou a falta dele. Nesses casos, não há o que possamos fazer.

Aos poucos ele vai embora e outros vêm como encaixes de quem não somos.

Só resta-nos torcer para que sermos o objeto que cobre a procura daquele que cobre a nossa falta.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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