QUANDO É MELHOR NÃO ESPERAR NADA EM TROCA …

Por que fazemos? Porque esperamos algo em troca. Teria sentido fazer sem pensar em nada em troca? Em princípio, não. No entanto, é porque esperamos que sofremos. O problema é que sempre queremos mais do que esperamos. A questão é que pode não vir i que esperamos. Há o que nunca virá porque não existe.

Esperamos a plenitude, o amor seguro, a certeza de nunca perder, a eterna juventude e a vida infinita. Por isso, continuamos tentando e sofrendo. Não apenas compramos o carro, a roupa ou a viagem. Compramos o nosso reconhecimento e a nossa aceitação no carro, na roupa e na viagem. Compramos para nos fazermos existir. Compramos para nos sentirmos mais inteiros. Compramos para sermos mais – exatamente – porque não suportamos ser de menos. Não suportamos o desamor, a velhice e a finitude.

Tudo o que fazemos – por menor que seja – não diz respeito aos nossos objetivos mais imediatos. Nossas questões existenciais – mais profundas – entremeiam tudo o que se passa conosco.

Dá para tentar não sofrer? Sim. Faz sentido fazer sem querer nada em troca? Sim. Dá para fazer de graça com a condição de que não coloquemos uma camisa de força no retorno.

Esperar pode ser um problema porque pode não chegar o que tanto gostaríamos. A gratuidade é sem pensamento, sem sentimento, sem expectativa, sem revolta e sem ódio. A gratuidade é a capacidade de fazer e de se desprender do que se fez. A gratuidade é fazer e voltar para a gratuidade. Se vier, ótimo. Mas, se não vier, também, não fará nenhuma diferença.

Desse modo, o ideal é fazer e zerar o sentir, o pensar e o esperar. O ideal é fazer e jogar ao vento. Se vier, comemore. Se não vier, não haverá sofrimento, porque não é mais seu. Se não vier, pense que deve ter feito bem para quem recebeu. Quem faz pensando em si sempre sofre. Que faz sem pensar em si nunca sofre – porque esvazia-se do que fez.

A felicidade é não ter. Quem tem, sofre por apego. Quem tem, sofre por temer perder. Que tem precisa carregar o peso do ter. A alegria é a vazia. A paz é vazia. A felicidade é a generosidade.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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