POR QUE TANTOS JOVENS ESTÃO MORRENDO?

Não podemos ultrapassar tudo. Temos que ter alguma contenção. Temos que ter algum recalque. Temos que ter algum limite. O que é o limite? Até bem pouco tempo, era a palavra e a lei. Na falta destas, vinha o medo e a religião. Parece que tudo isso se desfez. Agora, qual é o limite? O limite é a vida. Ou seja, qualquer coisa que faça com que os indivíduos não coloquem suas vidas em risco. A palavra não serve mais. A lei não tem mais a mesma legitimidade. A religião – parece – que está completamente desgastada pela prática contraditória dos próprios religiosos. Ou seja, o abstrato não serve mais como meio de proteção à nada. As pessoas estão indo às vias de fato. Nesse contexto, estamos tentando ver o que podemos fazer – não mais no campo da consciência – mas no campo da ação. A ordem agora é pensar na perspectiva da redução de danos. Se o álcool funciona como um contentor, então, nosso trabalho é o de acompanhar essa dependência – no sentido de tentar preservar a vida – apesar dela. Retirar o álcool pode significar expor o sujeito a um risco ainda maior de morrer. Há drogas mais leves e mais pesadas. Nossa função é a de acompanhar o usuário no sentido de que ele não passe de usuário à dependente. Uma vida sem alguma droga – hoje – é quase impossível. Isto vale – também – para o sexo, para as compras, para os amores e para a comida. Nosso tempo é o do imperativo “vá e viva tudo o que puder.” Estamos na época do desregrado. Não adianta querer adaptar nossos jovens a um mundo que não existe mais para eles. Não são eles que têm que adentrar nosso mundo. Precisamos sair de nós mesmos para tentarmos entender o que se passa nas mentes dessa nova geração. Qualquer contenção está valendo. Precisamos descobri-las e, em certa medida, até incentiva-lás.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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