POR QUE TANTOS JOVENS ESTÃO MORRENDO?

Não podemos ultrapassar tudo. Temos que ter alguma barreira, algum recalque e algum limite.

O que é o limite? Até bem pouco tempo, era a palavra. Na falta desta, vinha o medo.

Parece que tudo isso se desfez. Qual é o limite agora? O limite é a vida. Ou seja, qualquer coisa que faça com que as pessoas não se coloquem em risco.

A palavra caiu em desuso. A lei não tem mais a mesma legitimidade. A religião se desgastou pela prática contraditória dos próprios religiosos.

Ou seja, o abstrato não serve mais como meio de contenção. As pessoas estão indo às vias de fato.

Nesse contexto, estamos tentando ver o que podemos fazer – não mais no campo da consciência – mas no campo da ação.

A ordem agora é pensar na perspectiva da redução de danos. Nosso trabalho é o de acompanhar as compulsões – no sentido de tentar preservar a vida – apesar delas. Retirar o vício pode expor o sujeito a um risco ainda maior. Nossa função é acompanhar o usuário no sentido de que ele não se torne um dependente.

Uma vida sem alguma droga – hoje – é quase impossível. Isto vale – também – para o sexo, para as compras, para os amores e para a comida.

Nosso tempo é o do imperativo: vá e viva tudo o que puder! Estamos na época do desregrado.

Não adianta querer adaptar os jovens a um mundo que não existe mais. Não são eles que têm que adentrar nosso mundo. Precisamos sair de nós mesmos para tentarmos entender o que se passa com eles.

Qualquer contenção está valendo. Precisamos descobrir quais são – e incentiva-lás.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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