POR QUE NÃO PERDOAMOS UM SOCIOPATA?

No ocidente, o perdão está – sobremaneira – relacionado à pagar com a dor. Jesus Cristo pagou com sua morte pela redenção dos nossos pecados. Perdoamos um ignorante criminoso pela sua falta de cultura. Perdoamos o crime de um esquizofrênico por sua psicopatologia. Perdoarmos, quando pressupomos um preço já pago ou a ser pago. Ainda estamos muito marcados pelo suposto caráter pedagógico do castigo. Entendemos que o indivíduo só vai criar jeito, jogando-o em uma prisão que mais parece uma masmorra medieval. É por isso que não conseguimos perdoar um sociopata: ele não sofre – nem mesmo quando o submetemos às piores torturas. Ele mata, rouba, corrompe, mente, manipula e tripudia, sem esboçar qualquer sentimento de culpa por isso. Também, é por isso, que muitos sociopatas – para serem aceitos no meio em que vivem – se convertem à alguma religião. A fé supõe o arrependimento. O arrependimento supõe algum sofrimento. A conversão supõe a aceitação dos mandamentos de Deus – logo ele não reincidirá no crime. No entanto, não conseguimos perdoar aquele sociopata que cometeu alguma atrocidade e continua com um comportamento de como se nada tivesse acontecido. Ainda não conseguimos perdoar alguém que fez sofrer e nada sofreu. O sofrimento é – talvez – a única moeda de troca que sabemos. Inclusive, desejamos a dor como forma de pagamento para aqueles que nos fizeram e nos fazem mal. No entanto, a saída não pode ser a violência pela violência e nem pela repressão via fé. Para a Psicanálise, a saída é pela responsabilização e pela consciência. Ou seja, cabe ao indivíduo tomar o crime como sendo seu. Cabe ao indivíduo tornar-se sujeito de seu próprio ato – assumindo-o dentro do que está previsto em lei. É fundamental, que todo criminoso prestes contas à sociedade em que vive de que reconheceu seu crime e respondeu por ele conforme ao que – essa mesma sociedade – estipulou como sendo ideal para tal. Ou seja, a melhor punição para qualquer crime, é a tomada de consciência do dano cometido e a certeza de que a violência não é a melhor saída para a solução dos nossos dilemas. A Psicanálise possui técnicas para propiciar que isso ocorra e para que esse indivíduo possa retornar ao convívio social sem qualquer risco para o mesmo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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