POR QUE NÃO GOSTO DE APLICATIVOS DE SEXO …

O que é o amor? É uma relação que exige que o seu objeto fale. Nesses tempos de ficantes, de pegação e onde muitos sequer sabem o nome dos parceiros, ainda existe amor?

O que o amor tem a ver com a palavra? É a palavra que cria a fantasia e o desejo. É a palavra que cria o Outro – porque comunicar é criar véus e mistérios.

O fato é que não existe a palavra da palavra. Amamos mais ou menos dependendo – também – do que o outro nos diz. Vamos amando cada vez mais porque jamais conseguiremos decifrar tudo o que outro é e tudo o que o outro nos diz.

O amor sem palavra é perversão. A perversão é um tipo de relação em que não há acordo. É por isso que a pedofilia é uma perversão – porque não é possível colocar a palavra no sexo com uma criança. Amar sem palavras é como se permitir a ser usado e a ser descartado.

Hoje, o gozo sem amor está às ordens no mundo virtual. Só não podemos esquecer que o amor é – também – corpo, pele e fruição. Contudo, o amor precisa visar – também – a este nosso lado de incompletude. É por sermos incompletos que nos tornamos interessantes.

A palavra é não toda – tanto que pode ser interpretada ao infinito. Sem a palavra, ninguém ama. Sem a palavra, nos coisificamos e nos desumanizamos.

Sem a palavra não há amor. É a palavra e a presença física de alguém que ameniza nossos vazios existenciais depois que fechamos nossos sites ou saímos de nossos aplicativos de sexo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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