POR QUE AS PESSOAS ESTÃO PERDENDO O TESÃO PARA O SEXO?

Parece que tem muita gente por aí meio que sem tempo e sem vontade para o sexo. É óbvio que a velocidade da vida mudou muito nos últimos tempos. Já estamos quase em julho e – parece – que o carnaval foi outro dia. Não paramos mais em uma coisa só. Parece que estamos achando que tudo – a partir de agora – pode ser resolvido com apenas um click. Não pode. É uma compulsão atrás da outra. Mesmo quando demora, a impressão é a de que tudo passou muito rápido. Viramos uma civilização de momentos. Decidimos viver programados. Queremos programar o improgramável: as pessoas. Por isso, estamos menos tolerantes e mais impacientes. Ainda bem que não conseguimos imprimir essa velocidade louca da vida em nosso sexo. O fato é que podemos até tentar, mas não obteremos sucesso. Transar não é como sair clicando. Não basta só olhar – e pronto. É preciso olhar e trazer o corpo junto. Não basta só tocar. É preciso tocar e fazer tremer. Não é só beijar. É necessário beijar e arrepiar. O corpo não é como uma máquina que funciona com apenas um toque. Sexo não é só hormônio. Sexo é a alma – também. Não é só pegar. É pegar e desejar. É a volúpia que faz tudo subir e se dar. É a volúpia que faz tudo se dispor. Isto não pode ser ensinado ou cronometrado. Isto não pode ser aprendido por repetição. Cada encontro é único. Não pode ser planejado. Não pode ter pressa. É preciso relaxamento e entrega – sem ansiedade. É preciso perder-se. O olhar prepara o tocar. O tocar prepara o beijar. O beijar prepara o penetrar. Cada coisa em seu próprio tempo – que só é revelado no ato mesmo de estar junto. Cada coisa com a sua função: nenhuma é melhor que a outra. O certo é que cada uma precisa aparecer inteira e livre na relação. O sexo é menos razão e menos técnica. O sexo é mais desejo, espontaneidade e entrega. Ao transar, não pense, não programe: deixe fluir tudo de seu. O desejo não tem duração definida. O desejo é para ser sentido. Permita ao outro descobrir você para ele e para você mesmo. Descubra o outro para você e para ele mesmo. Não se se bloqueie. Entregue-se. Agindo assim, é seguro que cada sensação virá – lentamente, deliciosamente e plenamente. Cada uma no seu próprio tempo e com toda a explosão de prazer que lhe é peculiar.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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