O QUE PODE FAZER BROCHAR? (UMA PROVOCAÇÃO…)

Como a maior parte das coisas da vida, o sexo, também, tem a ver com os nossos sentidos. Não basta ser bonito, inteligente e viril. Sexo é gosto. Não só gosto estético ou intelectual. Sexo é – também – olhar, paladar, cheiro e textura. Não é só o que não gostamos, de forma geral, que brocha. A ignorância – também – brocha. Uma pegada ruim pode colocar tudo para baixo. Mas, não é só isso que acaba com uma cama que tinha tudo para ser fogosa. Um beijo com halitose ou aquele gosto de guarda chuva molhado na boca, pode esfriar qualquer quentura. Ninguém funciona, como deveria, diante de uma cútis descuidada, seca, áspera, manchada e lesada de espinha. E aquela mão mal cuidada? E aquela unha encravada? E aquele calcanhar todo rachado? E aquele dedo torto do pé? E aquele joelho grosseiro? E aquela virilha toda destruída por assadura? Como se não bastasse tudo isso, ainda tem aquele cheiro desagradável. Todo tesão necessita de um bom banho antes do ato. Limpe tudo o que pode vir a vazar em líquido ou em aroma ruim. Cubra com perfume o que pode exalar depois de um certo tempo de muito esforço físico. Cuide-se. Não basta só se apresentar bem vestido. É preciso se apresentar bem – também – sem roupa. Lembre-se que uma vez visto, cheirado e experimentado, não adianta parar e começar de novo. No sexo, qualquer detalhe pode constranger e colocar tudo a perder. Tem coisa que nem apagando as luzes, resolve. Não é frescura. Não é intolerância. É algo incontrolável. Uma vez percebido, para tudo. É sempre bom depilar onde mais que tocamos com as mãos. Quando não der, vale ao menos podar. Fios de cabelo branco lá, nem pensar. Melhor, se puder, manter tudo durinho, empinadinho e redondinho. Mas se não for possível, mantenha, ao menos, limpinho e cheirosinho. Cuide-se para não usar roupas íntimas desproporcionais, desbotadas, degringoladas, furadas ou rasgadas. Não é só um corpo bonito, um bom papo ou uma boa conta bancária que faz o amor. O amor é um sentimento. Não existe meio amor. Ou amamos inteiro, ou não amamos. Costuma ser aquele um por cento de não amor que vem a comprometer todos os outros noventa e nove por cento de amor. E pode ser esse um por cento que, uma vez lembrado, pode aparecer, do nada, detonando os outros noventa e nove por cento de puro tesão.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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