O QUE É AMAR DE FORMA DESESPERADA?

Desespero é o nada. E diante do nada ficamos angustiados ou ansiosos para encontrarmos algo que nos sustente de alguma maneira nesse vácuo. Diante desse nada, podemos perder o sentido das coisas e não reconhecer mais ninguém do nosso entorno. Daí, tudo pode acontecer. Este é o pior dos desesperos. O amor é uma outra via que temos para aplacar nossas angústias. E, não há dúvida, de que nossos amores estão mesmo muito desesperados. Ou seja, nossos amores estão fora dos limites – tanto quando amamos um ou vários ao mesmo tempo. Se amamos um, o amamos loucamente – haja visto o número de crimes passionais noticiados – quase diariamente – nas mídias sensacionalistas. Se amamos um, ele não é apenas um, ele é o tudo. O problema é que o tudo não existe. Daí, surtamos quando o tudo dá algum sinal de não ser muita coisa. Se amamos muitos, também, queremos o tudo em todos. Vamos experimentando todos na expectativa de encontrar ao menos um que seja completo. Como não existe a completude, chutamos o balde e caímos na promiscuidade. O fato é que estamos tão alienados, que achamos que podemos trazer o tal tudo da sociedade de consumo para a vida. Não sabemos como lidar com esse quantum de angústia que é constitutiva de nós mesmos. Viver é – também – desesperador. Nada e nem ninguém possui qualquer resposta para isso. Não há pensamento para o nosso desespero de viver. Na falta do tudo, sobra cada um com seu próprio desespero. Resta saber o que cada um fará com o seu. Espera-se que se faça bem feito.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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