O QUE É A MATURIDADE?

Gosto da ideia de tecer para compreender como funciona a minha maturação psíquica. Desde que nascemos somos tomados por certas perturbações que não sabemos o que fazer com elas. Em alguns momentos da vida, elas quase não se fazem presentes. Em outros, por vontade nossa ou não, elas retornam com força total. Nunca nos livraremos cem por cento delas. Fora que, na medida em que vamos envelhecendo, elas vão se tornando ainda mais angustiantes. A saída é não desesperar e nem surtar. É nesse sentido que gosto da ideia de tecelagem e de bricolagem como metáforas para os nossos dramas emocionais. Jamais conseguiremos resolve-los todos de uma só vez – mesmo porque, muitos, sequer possuem qualquer solução. A saída é, na medida em que as crises forem aparecendo, irmos tecendo um pontinho, encontrando algum nó ou algum encaixe de sentido para o que estivermos vivendo. Isso alivia – e muito – nossos destemperos psicológicos. A questão é que sentimos aliviados quando conseguimos fazer um laço. A sensação é a de que conclusão da obra. Não é bem assim. Logo em seguida, a vida se encarregará de nos dizer que ainda teremos que construir mais alguns nós. O bom é que nunca começaremos do zero. Sempre recomeçaremos do ponto de onde paramos do nosso processo de tecelagem. É, neste contexto, que temos a sensação de que estamos amadurecendo psicologicamente. Na medida em que vamos envelhecendo temos a impressão de que estamos cada vez calmos no trato de nossos dramas existenciais. Na medida em que vamos amadurecendo, vamos percebendo como as experiências anteriores foram fundamentais para as vivências atuais. Quem não está dando conta, possivelmente, não foi capaz de dar o primeiro ponto e iniciar a sua própria história de maturação existencial. Infelizmente, na atualidade, as pessoas não estão dispostas a esse enfrentamento de si na confecção de suas saídas para as suas questões. Tanto medicamento psiquiátrico vem acovardando os indivíduos quanto a quem são emocionalmente. Queremos resolver tudo com o mesmo imediatismo de quando trocamos de roupa. Com nossas dores psíquicas, as coisas não funcionam assim. É só na medida em que me falto que posso saber de mim. É só na medida em que me falto que vou descobrindo os prazeres que mais coadunam comigo. É só na medida em que vou me faltando que descubro a minha felicidade. Não de uma vez. Mas como um mosaico de uma infinidade de pecinhas com tamanhos diversos. Posso levar horas, dias ou meses para encontrar aquela que se encaixa – perfeitamente – ali. Não é fácil. Mas quando encontro, não há felicidade que se compare.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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