O QUE DEUS ESPERA DE NÓS?

Quanto mais arrogância, mais sofrimento. Amamos porque nos sentimos incompletos. Na verdade, não amamos para beijar na boca ou fazer sexo. Não amamos por beleza, riqueza ou virilidade. Nossa incompletude não é física, monetária ou sexual. Nossa incompletude é existencial. No fundo, amamos para nos sentir protegidos da solidão. De qual solidão? Da solidão de não sabermos de onde viemos e nem para onde vamos. Da solidão de que vamos envelhecer e de que vamos morrer. Na verdade, ficamos agressivos porque a existência nos é agressiva. É por isso que queremos possuir coisas e pessoas – porque suas ausências atualizam as nossas ausências existenciais. Não sabe amar que tem medo da solidão de não saber de onde veio e nem para onde vai. Não sabe amar quem tem medo da solidão de envelhecer e de morrer. Nesta vida, aprendemos que os melhores antídotos para as nossas dores de existir é a acumulação de coisas e de pessoas. Não é. Ninguém tem qualquer antídoto eficaz para isso. Toda filosofia, ciência ou religião, blefa diante disso. Deus nos fez sem esses saberes para ver a nossa capacidade de ser sem eles. Não somos por nenhuma filosofia, ciência ou religião. Começamos a ser, de verdade, quando termina toda filosofia, ciência ou religião. Na verdade, não podemos ser pelo pensar – porque não há o que pensar sobre a verdade que  mais somos.. Temos que ser pelo saber-fazer. Temos que saber fazer bem feito com o que somos sem qualquer saber. Acho que é isso o que Deus espera de nós …

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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